Testosterona e leite: bebida influencia o hormônio? Nutricionista tira a dúvida

Embora o leite seja bem nutritivo e benéfico à saúde, não é possível afirmar que a bebida estimula a produção de testosterona pelo organismo

A alimentação, o sono, a prática de exercícios e pequenos hábitos diários tendem a influenciar muito no funcionamento dos hormônios (como a testosterona, o estrogênio, o GH e por aí vai). Existem estudos, inclusive, voltados para descobrir se algum alimento, de fato, é capaz de interferir diretamente no sistema endócrino. Uma ideia que vem sendo questionada, por exemplo, é a de que o leite seria capaz de afetar na produção de testosterona pelo organismo. Mas será que essa informação realmente procede? Para saber mais sobre essa questão, nós conversamos com a nutricionista Cristiane Coronel, que pesquisou a fundo o assunto e esclareceu uma série de pontos importantes. Vale a pena conferir!

Afinal, o consumo de leite pode aumentar a produção de testosterona?

De acordo com a nutricionista Cristiane Coronel, a ideia de que o leite afeta a produção de testosterona no organismo ainda não foi comprovada. “Uma linha de estudos alega que o leite pode interferir na produção de testosterona, porém não existem artigos que comprovem que a bebida pode influenciar direta ou indiretamente nessa produção do hormônio e afetar, de alguma forma, o organismo humano”, explica.

A nutricionista ainda destaca que é muito difícil realizar testes científicos (feitos com uma série de exigências e restrições) que permitam comprovar, de fato, a interferência do leite na produção hormonal de cada indivíduo. Por isso, afirmar que a bebida estimula a testosterona pode ser algo equivocado.

“Existem muitas variáveis que dificultam os estudos. Para se chegar à uma conclusão fidedigna, o isolamento dessas variáveis em um longo período seria praticamente inviável, como: alimentação humana, isolar a ingestão de todos outros alimentos que não contenham o perfil dos laticínios, isolar hábitos de vida como sono, exercício ou sedentarismo, vício, estresse. Todas essas variáveis possuem influência direta ou indireta em toda a produção hormonal humana”, complementa.

Após consultar um veterinário doutor em reprodução animal, a nutricionista revelou um ponto importante para esse debate – a origem do leite (como o de vaca, por exemplo) determina a quantidade de hormônios e de outros nutrientes presentes na bebida. Ou seja, fica ainda mais difícil afirmar as influências do leite no nosso organismo.

“Outro ponto a ser considerado é que a vaca prenha tem um aumento de hormônios enquanto produz leite. Uma fração pequena desses hormônios pode passar para o leite sim. Porém, as vacas leiteiras produzem um volume muito maior de leite se comparado às vacas comuns de fazenda, minimizando ainda mais a concentração de hormônios no volume de leite produzido. Uma vaca leiteira tem a capacidade de produzir cinco vezes mais leite do que uma vaca comum, por exemplo. E ainda, a quantidade de leite consumida pelo ser humano é muito pequena, se comparada ao volume total diário de leite produzido. Esse fato minimiza ainda mais as chances de o leite influenciar na produção de hormônios humanos”, explica a especialista.

Existem alimentos que aumentam a testosterona?

A nutricionista destaca que, para aumentar os níveis de testosterona e manter o sistema endócrino equilibrado, é necessário incluir uma série de alimentos na dieta e buscar um estilo de vida saudável. “Não existe alimento isolado que aumente a produção de testosterona. Mas sim alimentos fontes de micronutrientes que, por sua vez, ajudam na produção natural do hormônio pelo organismo, oferecendo substratos para que ele seja produzido e bem aproveitado pelo próprio corpo. Os principais são alimentos fontes de zinco: ostras, carne de boi, peru, fígado, sementes de abóbora, frango, castanhas, amêndoas e amendoim; fontes de vitamina D: gema de ovo, somada à exposição solar; fontes de gorduras boas: azeite, castanhas em geral, linhaça, abacate, açaí e amendoim”, afirma.

“Para melhorar níveis de testosterona, devem ser incluídos bons hábitos de vida, como prática de exercícios físicos, exclusão de vícios (bebidas alcoólicas, fumos etc.), bom sono e equilíbrio do estresse. Esses são fatores que influenciam na produção de hormônios”, finaliza Cristiane. (Conquiste sua Vida)