Vacina 100% brasileira contra a Covid-19 avança: SpiN-Tec conclui fase 2 de testes

Imunizante da UFMG é o primeiro totalmente desenvolvido no Brasil a superar essa etapa e pode chegar à população em 2028

Foto: Virgínia Muniz / CTVacinas / UFMG

A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) anunciou nesta quinta-feira (15) um marco na ciência brasileira: a vacina SpiN-Tec, desenvolvida integralmente no país, concluiu com sucesso a fase 2 dos testes clínicos. O imunizante é o primeiro 100% nacional a atingir esse estágio no combate à Covid-19.

Produzida pelo CT Vacinas (Centro Nacional de Vacinas), com apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e da Prefeitura de Belo Horizonte, a vacina representa um avanço significativo na autonomia científica do Brasil em relação à imunização contra o coronavírus.

O que foi testado

Durante a fase 2, a SpiN-Tec foi testada em 320 voluntários ao longo de 12 meses. Os participantes já haviam recebido previamente um esquema vacinal completo com as vacinas monovalentes (Coronavac, Pfizer ou AstraZeneca) ou a bivalente, com intervalo mínimo de seis meses. Metade dos voluntários recebeu a SpiN-Tec como dose de reforço, enquanto a outra metade recebeu a vacina Pfizer bivalente, para fins comparativos.

O principal objetivo desta fase foi avaliar a imunogenicidade da vacina, ou seja, sua capacidade de gerar uma resposta imune eficaz. Os resultados indicaram que a SpiN-Tec é promissora como reforço vacinal.

Tecnologia e benefícios

A SpiN-Tec é formulada a partir da proteína Spike (espícula) do coronavírus, modificada para induzir a produção de anticorpos sem causar infecção. Segundo os pesquisadores, a tecnologia usada na vacina é de baixo custo e já conhecida por laboratórios públicos e privados do país, o que pode facilitar a produção em larga escala.

Outro ponto positivo é a estabilidade do imunizante: ele pode ser armazenado em geladeiras comuns por até dois anos, eliminando a necessidade de freezers especiais e reduzindo os custos logísticos.

Próximos passos

A fase 3 dos testes clínicos, última etapa antes da aprovação para uso em massa, depende da autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). A previsão é que a fase final comece em 2026, com a participação de aproximadamente 5.300 voluntários.

Caso os resultados confirmem a segurança e eficácia da vacina, a SpiN-Tec poderá ser disponibilizada ao público a partir de 2028, segundo projeções da UFMG.


Entenda o caminho de uma vacina até a população:

  • Pesquisa pré-clínica: estudos em laboratório e com animais para avaliar segurança e identificar potenciais antígenos.
  • Fase 1: testes em dezenas de humanos saudáveis para avaliar a segurança inicial.
  • Fase 2: centenas de pessoas testadas para medir a produção de anticorpos e observar reações.
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