15,8% das mulheres na Bahia chegam ao fim da idade reprodutiva sem ter filhos, diz IBGE

Estado tem taxa de 1,55 filho por mulher e 15,8% das mulheres entre 50 e 59 anos nunca tiveram filhos; maior escolaridade é principal fator

| Foto: Alexandre Mendez / CP Memória

Os resultados do Censo Demográfico 2022, divulgados pelo IBGE, reforçam uma tendência já observada por outras pesquisas: as mulheres baianas estão adiando a maternidade, tendo menos filhos, e aumentando a proporção das que chegam ao fim da vida reprodutiva sem nunca terem tido filhos. O principal fator associado a essas mudanças é o maior nível de instrução.

Na Bahia, a taxa de fecundidade total – que representa o número médio de filhos por mulher de 15 a 49 anos – foi de 1,55 em 2022. O índice é menor que o nível de reposição populacional (2,1 filhos por mulher) e igual à média nacional, sendo a 10ª menor entre os estados.

Desde 2000, o indicador apresenta queda expressiva no estado: naquele ano, era de 2,4 filhos por mulher. Em 2010, caiu para 1,7 e, agora, chegou a 1,55. Essa redução está diretamente relacionada ao adiamento do primeiro filho. A idade média das mulheres baianas ao se tornarem mães pela primeira vez aumentou de 26,6 anos (2010) para 27,9 anos (2022).

Mesmo ainda abaixo da média nacional (28,1 anos), a Bahia aparece entre os estados com maior idade média no primeiro parto – 12ª posição –, à frente de regiões como Pará e Maranhão, onde a média é inferior a 27 anos.

Outro dado que chama atenção é o crescimento da proporção de mulheres que chegaram ao final da idade reprodutiva (50 a 59 anos) sem filhos. Em 2022, esse grupo representava 15,8% das mulheres baianas dessa faixa etária, totalizando cerca de 135,4 mil pessoas. Em 2010, o percentual era de 10,9% (68,3 mil mulheres), o que indica quase o dobro em 12 anos. A Bahia registrou a 7ª maior proporção do país.

O Censo ainda apontou que a escolaridade influencia diretamente nos índices de fecundidade e na idade da maternidade. Mulheres com ensino superior completo na Bahia tinham, em média, 1,13 filho – taxa cerca de 60% menor do que entre aquelas sem instrução ou com até o fundamental incompleto (1,97).

A educação também impacta o momento da maternidade: mulheres com ensino superior têm o primeiro filho aos 30,7 anos, em média, quatro anos depois das que têm menor escolaridade (26,8 anos). Essa diferença também foi observada em nível nacional.

Entre 2010 e 2022, a idade média ao ter o primeiro filho aumentou em todas as faixas de escolaridade, com o maior avanço registrado entre as mulheres com menos anos de estudo – um salto de 1,2 ano, passando de 25,6 para 26,8 anos.

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