Ex-assessor acusa Moraes de forjar relatórios em operação contra empresários bolsonaristas

Eduardo Tagliaferro afirmou no Senado que laudos usados em decisão do STF foram produzidos após a operação; PGR Paulo Gonet também é citado em suposta atuação fora do rito processual.

Foto: Reprodução

O ex-assessor de Alexandre de Moraes no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Eduardo Tagliaferro, afirmou nesta terça-feira (2) que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) teria forjado relatórios para justificar uma operação da Polícia Federal contra empresários bolsonaristas em agosto de 2022.

A ação foi autorizada após a divulgação, pelo portal Metrópoles, de mensagens privadas em que os empresários defendiam posições de teor golpista.

Segundo Tagliaferro, o documento que embasou a decisão de Moraes teria sido produzido apenas dias depois da operação. Em audiência na Comissão de Segurança Pública do Senado, ele exibiu prints e documentos que, de acordo com sua versão, comprovariam que o ministro não tinha acesso às mensagens na data em que determinou a ação policial.

De acordo com o ex-assessor, o laudo técnico apresentado como base da decisão é datado de 22 de agosto de 2022, véspera da operação. No entanto, os metadados indicariam que ele foi criado em 28 de agosto, seis dias após o cumprimento das medidas.

As mensagens que motivaram a operação traziam falas como a do empresário José Koury, dono do Barra World Shopping, que disse preferir um golpe à volta do PT. Ele e os demais envolvidos negaram intenção golpista nos diálogos.

Tagliaferro afirmou ainda que os laudos foram elaborados por ele mesmo, a pedido do gabinete de Moraes, após a operação já estar em curso. Reportagens da Folha de S.Paulo publicadas em 2023 mostraram diálogos internos que apontariam que o setor de combate à desinformação do TSE atuou como apoio direto ao gabinete do ministro, fora das atribuições tradicionais da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Durante a sessão, o ex-assessor também mencionou o atual procurador-geral da República, Paulo Gonet, que na época era vice-procurador-geral eleitoral. Segundo Tagliaferro, Gonet teria solicitado informações sobre remoção de conteúdos nas redes sociais em interlocuções fora do rito formal. Prints de supostas conversas foram exibidos aos senadores.

A audiência foi conduzida pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que anunciou o envio da documentação ao presidente do STF, Luís Roberto Barroso, e disse que pedirá a suspensão do julgamento da chamada “trama golpista”. O parlamentar afirmou ainda que pretende encaminhar o material ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Até o momento, nem o gabinete de Alexandre de Moraes nem a assessoria de Paulo Gonet se manifestaram sobre as acusações.

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