A COP30, que chega a Belém neste mês, já está gerando controvérsia antes mesmo de entrar em plena atividade. Delegados e visitantes relatam que os preços de alimentos e bebidas nas áreas do evento estão muito acima da média, com refeições que chegam a custar mais de R$ 100 e drinks que ultrapassam os R$ 30. A situação se soma a um cenário de hospedagem inflacionada, onde diárias de hotel podem chegar a R$ 25 mil, provocando “choque” entre os participantes e reacendendo o debate sobre os custos elevados de grandes conferências internacionais no Brasil.
Nos últimos dias, quem passou pelos restaurantes e quiosques montados nas imediações do Centro de Convenções percebeu a diferença: um sanduíche que normalmente custaria R$ 15 está sendo vendido por R$ 45, enquanto um café simples chega a R$ 12. Segundo relatos de organizadores e de alguns comerciantes, os valores foram ajustados para cobrir o alto custo de logística e segurança exigidos pelo evento. No entanto, a justificativa não tem sido suficiente para acalmar os bolsos dos delegados, muitos dos quais vieram de outras regiões do país ou do exterior com orçamento limitado.
Além dos custos com alimentação, a questão da hospedagem tem sido outro ponto de tensão. Hotéis de cinco estrelas na capital paraense elevaram suas diárias em mais de 1.000 % em relação à média histórica, segundo dados da Associação Brasileira de Hospedagem. A situação levou alguns delegados a buscar alternativas em cidades vizinhas, o que gera ainda mais deslocamento e custos adicionais.
Enquanto a organização da COP30 afirma que os preços refletem a realidade de um evento de grande porte, a população local e os participantes esperam medidas de mitigação, como a criação de áreas de alimentação popular ou a oferta de subsídios para quem tem menor poder aquisitivo. O debate segue aberto, e a expectativa é que, nos próximos dias, haja respostas que amenizem o impacto econômico sobre os envolvidos.


