A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais provocou uma reação negativa nos mercados internacionais nesta segunda-feira (26). Antes da abertura oficial de Wall Street, ações de empresas brasileiras negociadas nos Estados Unidos registraram quedas expressivas, com perdas superiores a 20% em alguns dos principais papéis.
Entre os destaques negativos estavam os bancos Itaú Unibanco e Bradesco, que recuavam 28,5% e 26,8%, respectivamente, segundo dados divulgados pela Reuters. A Petrobras também apresentava desvalorização de aproximadamente 20%, enquanto os papéis do Nubank caíam 24%. O fundo de índice EWZ, que reúne ações brasileiras negociadas no mercado americano, recuava cerca de 26%.
A movimentação reflete a mudança nas expectativas de investidores, que vinham apostando em uma possível vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado no segundo turno. Parte do mercado esperava que uma mudança de governo abrisse espaço para reformas econômicas e medidas de controle das contas públicas.
Analistas ouvidos pela imprensa internacional avaliam que o resultado eleitoral aumentou a preocupação com a trajetória fiscal brasileira, os gastos do governo e os juros. Esses fatores podem influenciar o apetite dos investidores por ativos nacionais e pressionar tanto o mercado de ações quanto o câmbio.
A intensidade das perdas no exterior também levantou preocupações sobre o comportamento da Bolsa brasileira na abertura dos negócios. Especialistas, porém, destacam que a reação inicial não determina, por si só, o desempenho dos ativos nos próximos meses, que dependerá das decisões econômicas e fiscais do governo e das condições do mercado.
Os percentuais citados correspondem às negociações no pré-mercado norte-americano na manhã desta segunda-feira e podem mudar ao longo do pregão.



