Governo Central registra superávit de R$ 4,8 bilhões em setembro, aponta Tesouro

Resultado foi o maior para o mês desde 2023 e superou as expectativas do mercado; no acumulado do ano, déficit primário chega a R$ 90,2 bilhões

O Governo Central registrou superávit primário de R$ 4,839 bilhões em setembro de 2026, segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional. O resultado representa uma reversão em relação ao mesmo mês de 2025, quando foi registrado déficit de R$ 14,4 bilhões.

O desempenho também ficou acima das expectativas do Prisma Fiscal, levantamento do Ministério da Fazenda que apontava para um déficit de R$ 7,5 bilhões. De acordo com o Tesouro, foi o maior superávit para setembro desde 2023.

Segundo o secretário do Tesouro Nacional, Daniel Cardoso Leal, um dos fatores que contribuíram para o resultado foi o cancelamento, pelo Poder Judiciário, de R$ 12,8 bilhões em precatórios de exercícios anteriores. O valor retornou aos cofres públicos como receita não administrada.

Apesar do resultado positivo em setembro, o Governo Central acumulou déficit primário de R$ 90,2 bilhões entre janeiro e setembro. No mesmo período de 2025, o saldo negativo havia sido de R$ 100,3 bilhões.

Em 12 meses até setembro de 2026, o déficit chegou a R$ 49,5 bilhões, equivalente a 0,38% do Produto Interno Bruto (PIB).

Receitas e despesas do Governo Central

A receita líquida somou R$ 204,947 bilhões em setembro, com crescimento real de 13,6% em relação aos R$ 172,487 bilhões registrados no mesmo mês do ano passado.

O avanço foi influenciado pelo aumento de 9,9% nas receitas administradas pela Receita Federal, que representou acréscimo de R$ 14,2 bilhões, e pela alta de 78,8% nas receitas não administradas pelo órgão, com crescimento de R$ 17,4 bilhões.

As despesas totais, por sua vez, alcançaram R$ 200,1 bilhões no mês, alta real de 2,4% na comparação com setembro de 2025, quando somaram R$ 186,866 bilhões.

No acumulado dos nove primeiros meses de 2026, as despesas chegaram a R$ 1,965 trilhão, crescimento real de 5,4% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior. Já a receita líquida atingiu R$ 1,874 trilhão, alta real de 6,5%.

Na composição do resultado de setembro, o Tesouro Nacional e o Banco Central registraram superávit conjunto de R$ 31 bilhões. A Previdência Social (RGPS), por outro lado, apresentou déficit de R$ 26,2 bilhões.

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