A intervenção no Ueno Bank, um dos maiores bancos digitais do Paraguai, desencadeou uma crise financeira e política no país. A medida foi anunciada pelo Banco Central do Paraguai (BCP) após a instituição apresentar um índice de solvência inferior ao mínimo exigido. O banco atende aproximadamente 2,9 milhões de clientes. Com a decisão, os serviços da instituição foram suspensos, e os correntistas ficaram temporariamente sem acesso aos recursos depositados.
Segundo o Banco Central, a medida busca proteger os depositantes e preservar a estabilidade do sistema financeiro. O processo também prevê mecanismos para avaliar os ativos e organizar o pagamento dos valores garantidos.
Recursos públicos ampliam preocupação
A dimensão da crise vai além dos clientes particulares. O Ueno Bank informou manter entre US$ 800 milhões e US$ 850 milhões em recursos públicos. Entre os valores estão investimentos de instituições estatais, incluindo aproximadamente US$ 355 milhões vinculados ao Instituto de Previdência Social (IPS), responsável pelo sistema previdenciário paraguaio.
A instituição também administra pagamentos de aposentadorias. Por isso, a intervenção levantou preocupações sobre os efeitos da crise para servidores, aposentados e órgãos públicos. O Fundo de Garantia de Depósitos prevê cobertura de até 75 salários mínimos por pessoa e instituição financeira. O Banco Central também anunciou medidas para iniciar os pagamentos aos depositantes.
Saída do presidente do Banco Central
A crise provocou a saída de Carlos Carvallo da presidência do Banco Central. Ele apresentou a renúncia após o presidente Santiago Peña solicitar seu afastamento. Carvallo havia dirigido a instituição financeira antes de assumir o comando do órgão regulador, em 2023. A trajetória ampliou os questionamentos sobre a supervisão do banco. Além disso, o Ministério Público abriu uma investigação para apurar possíveis irregularidades na administração do Ueno Bank. A apuração envolve suspeitas relacionadas à gestão da instituição e a operações financeiras.
Relações empresariais de Santiago Peña entram no debate
A situação também aumentou a pressão política sobre Santiago Peña. Até março de 2025, o presidente manteve relações empresariais com o Grupo Vázquez, controlador do Ueno Bank. Essa proximidade já havia provocado questionamentos sobre possíveis conflitos de interesses. Agora, oposicionistas defendem a apuração de eventual responsabilidade política do governo.
A crise também ameaça a imagem do Paraguai como destino de investimentos estrangeiros.
O país vinha buscando ampliar sua presença no mercado internacional, inclusive entre investidores brasileiros. Enquanto isso, as autoridades paraguaias trabalham para organizar o processo de resolução do banco e proteger os depositantes. A investigação deverá esclarecer as responsabilidades pela situação financeira da instituição.
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