Conselho do Bahia aprova acordo com o Banco Opportunity por unanimidade

Reunião do Conselho Deliberativo decidiu por aprovação do acordo entre o Esquadrão e o antigo parceiro (Foto: Reprodução)

O Conselho Deliberativo do Bahia aprovou por unanimidade o acordo entre o clube e o Banco Opportunity para colocar fim no processo em que a instituição financeira cobra cerca de R$ 116 milhões do tricolor por causa do distrato do Bahia S/A realizado em 2006. O documento foi analisado na noite desta quinta-feira (28), durante reunião, e recebeu o parecer positivo.

No contrato, ficou acertado que o Esquadrão pagará R$ 35 milhões. Quase 70% menos do que o Opportunity pedia na Justiça. O clube baiano terá o prazo de sete anos para a quitação do débito. O primeiro aporte será de R$ 416.666,67, e deve ser feito até três dias úteis após a aprovação pelo Conselho. 

Com o acordo, o Bahia fica livre para avançar na negociação com o Grupo City para a venda das ações de uma possível Sociedade Anônima do Futebol (SAF). Uma das cláusulas da repactuação com o Opportunity prevê que em caso de SAF, e consequentemente a chegada de um investidor, haverá obrigatoriedade no pagamento antecipado de todas as parcelas em aberto.  

Na reunião desta quinta-feira, os conselheiros seguiram o parecer emitido pelo Conselho Fiscal do clube, que aprovou os termos do contrato. O órgão, no entanto, enfatizou a necessidade do Bahia em cumprir o acordo para evitar novas multas, juros e até o rompimento do que foi estabelecido, o que agravaria o atual cenário financeiro do Esquadrão. 

Para o presidente Guilherme Bellintani, a resolução do imbróglio envolvendo o Opportunity significa o fechamento de um ciclo do pagamento de dívidas históricas do Bahia. Ele citou os débitos trabalhistas, o processo movido pela BWA, e a renegociação de dívidas públicas através do PERSE. 

“Hoje a gente propõe o fechamento do pagamento de dívidas. Eu falo em quatro tópicos: as dívidas trabalhistas, que estão longe de serem quitadas, mas hoje garantida com um patrimônio imóvel que é o Fazendão. Conseguimos reformar o inaugurar um centro de treinamentos sem vender o outro, então em termos de valor de mercado ele equivale ao valor da dívida trabalhista, isso serviu para a renegociação do Acórdão. No que se refere a dívida trabalhista, apesar de não estar quitada ela está equacionada do ponto de vista financeiro”, explicou. 

“A dívida da BWA, que está absolutamente quitada, já protocolamos o acordo que resultou no pagamento de mais de R$ 20 milhões. Também é uma dívida histórica, originada em 2011. O PERSE, que resultou em uma redução significativa da dívida pública. E agora a hipótese de renegociar esse grande problema que temos que é o conflito com o banco Opportunity”, completou.  

O processo do Opportunity contra o Bahia teve início em 2016. Na ação, o banco alega que em 2006, durante a gestão de Petrônio Barradas, o tricolor fez um acerto para o distrato da parceria do Bahia S/A, clube-empresa criado em 1998. Na época, o Esquadrão deveria pagar uma dívida de R$ 13,5 milhões, além de fazer repasses de percentuais de vendas de atletas ocorridas entre 2007 e 2023. 

Como o Bahia nunca pagou os valores, o Opportunity abriu um processo para receber a quantia. Os valores corrigidos passariam de R$ 100 milhões. Os tricolores demonstravam preocupação com o imbróglio já que em caso de derrota judicial, a execução da dívida causaria um enorme impacto na saúde financeira do clube.    

Entenda o caso
A parceria entre Bahia e Banco Opportunity teve início em 1998, um ano depois da primeira queda do clube para a segunda divisão. No boom da formação de clubes-empresa no Brasil, o tricolor tornou-se o Bahia S/A. Através da Liga Futebol, criada apenas para administrar o Esquadrão, o Opportunity virou dono de 51% do clube. Os outros 49% continuaram com a associação Esporte Clube Bahia.

A instituição financeira fez investimentos no início da parceria, mas em campo os resultados não aconteceram. O time não conseguiu voltar à primeira divisão nos dois primeiros anos. Só em 2000, com a criação da Copa João Havelange, o clube retornou à elite através de uma “virada de mesa”.

Três anos depois, em 2003, o Bahia foi rebaixado novamente. Com a relação desgastada, o Opportunity se afastou do clube. Em 2006, quando a equipe já estava na Série C, o Bahia fez uma oferta para retomar o controle da S/A. Na época, grupos de oposição ameaçavam negociar com o banco a compra das ações.

por Gabriel Rodrigues / Correio 24h