Entenda as referências da letra de “Eduardo e Mônica” do Legião Urbana

Imagem:  Globo Filmes/Divulgação

O começo você já sabe. Foi um amigo de cursinho do Eduardo que o chamou para a festa em que ele viu Mônica pela primeira vez (“festa estranha, com gente esquisita”). Gostaram um do outro e marcaram um date.

“O Eduardo sugeriu uma lanchonete
Mas a Mônica queria ver um filme do Godard
Se encontraram então no Parque da Cidade
A Mônica de moto e o Eduardo de camelo

Vamos às primeiras referências:

Godard

Gary Stevens/Wikimedia Commons

Expoente da Nouvelle Vague (“Nova Onda”) francesa, movimento do cinema nos anos 1960, marcado por cortes abruptos nas cenas, roteiros improvisados e produção de baixo orçamento, Jean-Luc Godard (1930–) dirigiu filmes como Acossado (1960) e O Desprezo (1963).

Parque da Cidade

Paulo JC Nogueira/Wikimedia Commons

O Parque da Cidade Dona Sarah Kubitschek, um patrimônio de Brasília, cidade onde os integrantes da Legião passaram sua juventude, é o maior parque urbano do Brasil. Por causa da citação em “Eduardo e Mônica”, hoje há uma Praça Renato Russo no local.

Camelo

Tiffany Nutt/Unsplash

Quem não é de Brasília pode imaginar que esse camelo da letra só entrou para rimar com o verso “O Eduardo achou estranho e melhor não comentar, mas a menina tinha tinta no cabelo”. Mas não: camelo é uma gíria para bicicleta no Distrito Federal.

Enquanto Eduardo gostava de novela e jogava futebol de botão com seu avô, Mônica era mais velha, madura e ligada em cultura. A música continua:

“Ela gostava do Bandeira e do Bauhaus
De Van Gogh e dos Mutantes
De Caetano e de Rimbaud

Manuel Bandeira

Foto: Arquivo Nacional/Wikimedia Commons

Ícone da poesia moderna no Brasil, o pernambucano Manuel Bandeira (1886–1968) era tuberculoso, condição que acabou impregnando sua obra com pessimismo e morte. É autor do clássico poema Vou-me Embora Pra Pasárgada.

Bauhaus

Fin Costello/Getty Images

Precursor do rock gótico, o Bauhaus, banda inglesa fundada em 1978, tem seu nome inspirado na escola modernista alemã de design e arquitetura, cujo estilo é marcado pela ausência de firulas e a ênfase na função do objeto ou da edificação.

Rimbaud

Étienne Carjat/Wikimedia Commons

Poeta simbolista, o francês Arthur Rimbaud (1854–1891) teve uma vida extraordinária. Escreveu toda sua obra na adolescência. Depois abandonou a poesia e se jogou no mundo, chegando a fazer tráfico de armas na África. Morreu, jovem, aos 37 anos – Renato Russo, aos 36.

Por Alexandre Carvalho / Informações: Superinteressante