O vereador Adrilles Jorge protagonizou uma cena polêmica ao usar peruca e batom durante uma manifestação para criticar o projeto de lei que tipifica a misoginia como crime no Brasil. A atitude gerou forte repercussão e dividiu opiniões nas redes sociais.
Durante o discurso, Adrilles afirmou que a proposta poderia abrir brechas para interpretações amplas sobre o que caracteriza misoginia. Segundo ele, a medida poderia gerar insegurança jurídica e até impactar relações sociais e profissionais.
O vereador também argumentou que a lei poderia desencorajar contratações de mulheres, por receio de punições, e questionou pontos da definição legal do projeto.
A encenação foi interpretada de formas diferentes. Apoiadores consideraram a atitude uma crítica ao que veem como excesso de regulação. Já críticos apontaram desrespeito e reforço de estereótipos, especialmente em um tema sensível como a violência contra mulheres.
O debate ocorre em meio à tramitação da proposta no Congresso Nacional. O texto já foi aprovado pelo Senado Federal do Brasil e segue agora para análise da Câmara dos Deputados do Brasil.
De autoria da senadora Ana Paula Lobato e com relatoria da senadora Soraya Thronicke, o projeto inclui a misoginia na Lei do Racismo.
Entre os principais pontos do texto estão:
- Tipificação da injúria misógina, com pena de 2 a 5 anos de prisão e multa;
- Inclusão da misoginia como forma de discriminação prevista em lei;
- Punição para quem praticar, induzir ou incitar atos de preconceito;
- Necessidade de manifestação concreta da conduta, não apenas pensamento.
O projeto também orienta que sejam consideradas discriminatórias ações que causem constrangimento, humilhação ou exposição indevida contra mulheres.
Durante a defesa da proposta, Soraya Thronicke destacou o aumento dos casos de feminicídio no país, reforçando a necessidade de medidas mais rigorosas para combater a violência de gênero.


