Igreja Presbiteriana do Brasil avalia se movimento Legendários segue sua doutrina religiosa

Supremo Concílio da denominação vai analisar documento que questiona práticas do grupo cristão voltado ao público masculino.

Criado na Guatemala, o Legendários chegou ao Brasil em 2018 e promove retiros masculinos de sobrevivência e imersão cristã - (crédito: Divulgação/Legendários)

A Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) vai analisar, no fim deste mês, se o movimento Legendários está de acordo com sua doutrina religiosa. A decisão será tomada durante a reunião do Supremo Concílio, principal órgão da denominação, que começa no próximo domingo (26), em Manaus (AM).

O encontro deve reunir mais de 1.600 representantes de 404 presbitérios espalhados pelo país. Entre os temas em discussão está um documento elaborado por uma assembleia presbiteriana do Tocantins que recomenda que pastores, líderes e membros da igreja não participem nem divulguem o movimento.

Segundo o parecer, o Legendários teria práticas consideradas incompatíveis com a tradição reformada seguida pela Igreja Presbiteriana do Brasil.

Documento aponta críticas ao movimento

A comissão responsável pela análise afirma que o grupo utiliza métodos semelhantes aos de treinamentos motivacionais e do chamado coaching, com atividades de forte impacto emocional.

Na avaliação apresentada, essas práticas poderiam retirar a centralidade das Escrituras e da mensagem cristã tradicional. O documento também questiona elementos utilizados pelo movimento, como gritos de guerra, camisetas padronizadas e identificação dos participantes por números.

O parecer cita ainda uma referência ao uso do termo “Legendário 001” para Jesus Cristo, prática considerada inadequada pela comissão.

Outro ponto levantado envolve as atividades realizadas durante as imersões do grupo. O documento menciona desafios físicos intensos, restrição alimentar e pressão emocional, avaliando que essas experiências poderiam ser interpretadas de forma equivocada como manifestações espirituais.

Caso seja aprovado pelo Supremo Concílio, o texto poderá se tornar uma orientação oficial para toda a denominação. Conselhos regionais poderão acompanhar casos de membros que continuem ligados ao movimento.

Movimento defende formação masculina cristã

Criado na Guatemala e trazido ao Brasil em 2018 pelo pastor Ricardo Bernardes, o Legendários é voltado exclusivamente para homens.

O grupo afirma buscar o fortalecimento de valores ligados à família, liderança, responsabilidade e ao papel de provedor, com base em interpretações bíblicas sobre masculinidade.

Entre as críticas feitas ao movimento está a acusação de estimular uma visão considerada excessivamente ligada à virilidade e a discursos associados à chamada “teologia do coaching”.

O Legendários, por outro lado, defende que suas atividades ajudam homens a desenvolver disciplina, liderança e compromisso com suas famílias e comunidades religiosas.

A Igreja Presbiteriana do Brasil e o movimento foram procurados para comentar o caso, mas não haviam se manifestado até a publicação da reportagem.

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