Integrantes de grupo alvo de operação contra organizações criminosas seguiam execuções por celular em presídios, diz delegado

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Polícia Civil deflagra operação contra organizações criminosas na Bahia — Foto: Alberto Maraux/SSP-BA

Homens que comandavam facções de dentro de presídios na Bahia, e que foram alvos de uma operação da Polícia Civil na terça-feira (27), acompanhavam execuções em tempo real de dentro das prisões. A informação é do delegado Felipe Neri, que participou das investigações.

Na operação Gunsmith, contra duas organizações criminosas no estado, foram expedidos 79 mandados de prisão, busca e apreensão em cinco cidades baianas. Desses, 76 foram cumpridos. Foram presas 28 pessoas e três apreendidas.

De acordo com Neri, os alvos da operação criaram um “tribunal do crime”, onde os chefes das facções determinavam penas para seus rivais ou qualquer um que entrasse em conflito com eles.

“Duas facções vinham disputando o território em Senhor do Bonfim com vários homicídios como resultados dessas disputas. O comando dessas duas facções estava sendo de dentro do presídio de Juazeiro e dentro do presídio de Feira de Santana. Durante o cumprimento dessas “penas”, os executores entravam em contato com eles [presos] no momento da ação, via celular, para que eles presenciassem, em tempo real, que estava realmente sendo cumprida a determinação”, revelou o delegado.

Segundo Felipe Neri, duas pessoas que tiveram desavenças com pessoas desses grupos, tiveram suas “penas” exibidas em tempo real para os homens apontados como mandantes.

“Uma senhora teve um desentendimento com uma das facções e a pena foi ceifar a vida do filho dessa pessoa, o que de fato aconteceu. Eles [mandantes do crime] acompanharam em tempo real, por celular, o cometimento desse crime, onde mataram o filho da senhora como punição”, disse.

“Teve um outro caso em que eles atiraram na perna de uma senhora, em Senhor do Bonfim, para que ela ficasse deficiente e esse fato também foi acompanhado por eles de dentro do presídio, em tempo real, além de torturas e crimes que eles acompanhavam de dentro do presídio. As investigações comprovaram que mesmo eles estando encarcerados continuavam comandando o crime organizado em Senhor do Bonfim e região”, detalhou.

Investigações e operação

Todos os presos são suspeitos de integrarem as duas organizações criminosas com atuação de tráfico de drogas, porte ilegal de arma, homicídios e corrupção de menores na Bahia. Os presos foram levados para o Conjunto Penal de Juazeiro, no norte do estado.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública da Bahia(SSP-BA), na operação, foram cumpridos mandados de prisão, busca e apreensão em residências e presídios nas cidades de Senhor do Bonfim, Juazeiro, Lauro de Freitas, Feira de Santana e Barreiras.

Durante a operação, foram aprendidas drogas e aparelhos celulares no Conjunto Penal de Juazeiro.

Em um imóvel, em Senhor do Bonfim, a cadela farejadora Jade, da Coordenação de Operações Especiais (COE), detectou cocaína na parte superior de um armário. Em outra casa, um traficante tentou se esconder atrás de um armário, mas foi encontrado.

A operação foi realizada pelo Departamento de Polícia Civil do Interior (Depin), através de investigação da 19ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Coorpin/Senhor do Bonfim), com apoio da Superintendência de Inteligência (SI) da (SSP-BA). (G1)