Justiça determina que SUS forneça medicamento para tratar tipo raro de câncer

Decisão judicial obriga o Sistema Único de Saúde a fornecer remédio não incorporado ao rol do SUS para atender paciente com neoplasia rara, sob risco de agravamento da doença.

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A Justiça Federal determinou que o Sistema Único de Saúde (SUS) forneça um medicamento específico para o tratamento de um tipo raro de câncer a um paciente que estava sem acesso à terapia adequada. A decisão atende a um pedido feito por meio de ação judicial, com base no direito constitucional à saúde.

Segundo o processo, o paciente apresenta uma condição oncológica pouco comum que exige uso de uma droga que ainda não foi incorporada oficialmente ao rol de medicamentos do SUS. Sem acesso ao remédio, o quadro clínico dele poderia se agravar rapidamente, conforme argumentaram os advogados na ação.

O juiz responsável pela sentença considerou que a negativa do fornecimento pelo SUS configuraria violação ao direito fundamental à saúde assegurado pela Constituição. Na decisão, foram estabelecidos prazos para que o Ministério da Saúde e a gestão estadual implementem a entrega do medicamento ao paciente, sob pena de multa diária em caso de descumprimento.

O processo levou em conta laudos médicos e pareceres que atestam a eficácia do medicamento no tratamento da neoplasia em questão e a ausência de terapias substitutas disponíveis no Brasil. A assessoria da Secretaria de Saúde foi notificada da decisão e terá de apresentar um cronograma de fornecimento e distribuição da medicação.

Especialistas em direito à saúde afirmam que casos como este têm se multiplicado nos últimos anos, em que pacientes buscam a Justiça para garantir acesso a tratamentos não oferecidos na rede pública. Críticos apontam que essa judicialização pode pressionar o orçamento do SUS, mas defensores destacam que a medida é necessária para assegurar o tratamento a pacientes em risco.

A determinação judicial é um exemplo das disputas entre a garantia de tratamentos específicos e as diretrizes de incorporação de tecnologias em saúde no país, que normalmente envolvem análise de eficácia, segurança e custo-benefício. O cumprimento da decisão deverá começar imediatamente, conforme determina o despacho oficial do juiz.

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