Médicos cubanos vendem churrasco e picolé na BA enquanto aguardam convocação para atuar no combate à Covid-19

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Foto: Reprodução/TV Bahia

Médicos cubanos que vivem na Bahia têm atuado como vendedores ambulantes para conseguir sobreviver, já que não conseguem exercer a profissão desde o fim do Programa Mais Médicos.

O Programa começou em 2013, com a vinda de 15 mil profissionais de Cuba para o Brasil, para atuar em regiões onde havia carência de profissionais, mas foi encerrado em 2019 pelo governo federal.

Apesar das dificuldades, os médicos têm esperança de atuar no combate à pandemia do coronavírus. Na Bahia, até a publicação desta reportagem, o número de pessoas infectadas passava de 21,4 mil casos, com mais de 730 mortes.

“Vendo como o número de casos aumenta no Brasil, fico com as mãos atadas. Eu legalmente tenho direito, porque cumpro todos os requisitos da MP-890 [Medida provisória] para trabalhar no Mais Médicos durante dois anos, mas infelizmente o Ministério da Saúde não cumpre”, conta o médico cubano Jose Angel, que entrou na justiça para voltar a trabalhar permanentemente, ganhou a causa, mas ainda não foi chamado.

“Muitas vezes se considera que a gente não tem preparação para trabalhar, ou nós não cumprimos requisitos. Eu acho que é mais política do que outra coisa. Quando você analisa o trabalho que tenha feito os cubanos aqui no Brasil, você conta com um trabalho ótimo, um trabalho de qualidade”, diz.

Apesar do fim do programa, Angel continuou no Brasil, já que havia se casado com uma brasileira. Ele mora em Lauro de Freitas, na região metropolitana de Salvador. Entretanto, desde que deixou de exercer a medicina, precisou atuar como ambulante e foi vendedor de picolé.

“Eu tive que procurar outro tipo de trabalho. Eu trabalhei graças a meu tio, na Ceasa. Comecei puxando caixa, carregando vegetais e depois disso fiquei desempregado e comecei a vender picolé e cerveja, como forma de renda para cobrir as necessidades aqui no Brasil”, relembra Angel.

As dificuldades enfrentadas por Angel também são relatadas por outro médico cubano, Ibey Chaviano Vega, que hoje já recebeu o chamado para atuar como médico novamente. Vender churrasco foi a forma que ele encontrou para driblar o desemprego, desde que ficou impedido de exercer a medicina no Brasil, há cerca de um ano.

“Eu trabalhei de vidraceiro, como balconista de farmácia, trabalhei em restaurante, como garçom, como churrasqueiro, só para bancar as contas do dia mesmo”, revela.

Por meio de nota, o Ministério da Saúde informou que publicou, em maio, a lista de médicos cubanos reincorporados ao Mais Médicos para o brasil. Conforme o órgão, foi concedido registro único para o exercício da medicina, no âmbito do projeto, aos cubanos convocados em primeira chamada no edital, aberto em função da pandemia do coronavírus.

Em caráter emergencial, o governo federal abriu 5.811 vagas para médicos que irão atuar nos postos de saúde, e o médico Ibey Chaviano foi convocado.

“Hoje, o Brasil está precisando de médico, médico não importa o lugar. Se é brasileiro, cubano, venezuelano. O brasileiro está precisando, com essa pandemia”, destacou Chaviano. (G1)

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