Najila Trindade depõe no Rio sobre divulgação de imagens íntimas por Neymar

Najila Trindade prestou depoimento à Polícia Civil no Rio nesta quarta — Foto: Foto: JOSE LUCENA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Najila Trindade prestou depoimento à Polícia Civil no Rio nesta quarta — Foto: Foto: JOSE LUCENA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

A modelo Najila Trindade chegou às 14h15 desta quarta-feira (11) para prestar depoimento na Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) na Cidade da Polícia, na Zona Norte do Rio. A mulher acusa o jogador Neymar de divulgar suas imagens íntimas na internet.

Ela também acusa o atacante de estupro, após encontrá-lo duas vezes em Paris, em maio. A acusação foi arquivada, enquanto a modelo acabou indiciada por três crimes: denunciação caluniosa, extorsão e fraude processual.

Ao publicar um vídeo na internet, para defender sua inocência, Neymar divulgou o nome, o rosto e fotos íntimas dela.

“Como eu me sinto? Péssima, né? Que eu fui violentada, exposta, agredida de todas as formas possíveis, minha vida virou um inferno. Ninguém me respeita”, criticou.

A modelo também ironizou o jogador do Paris Saint Germain (PSG).

“Já conseguiram ‘provar’ que eu não fui violentada, nem nada, mas não conseguiram indiciar ele por isso que ele fez, (as fotos que) mundialmente expôs. Não tem como negar, mas mesmo assim ele está trabalhando igual no futebol: driblando e caindo”.

Segundo o advogado de Najila, Cosme Araújo, sua cliente diz que não autorizou a divulgação de suas fotos íntimas por Neymar.

O depoimento nesta quarta no Rio durou cerca de 40 minutos e Najila respondeu apenas às seguintes perguntas:

  • Era ela a pessoa da foto?
  • Era ela na conversa?
  • Ela autorizou a divulgação?
  • Como soube do vazamento?

“Minha versão da história é que eu não autorizei nada e jamais imaginei que ele [Neymar] fosse capaz de fazer isso”, disse Najila na saída da delegacia.

“É um crime óbvio que ele fez na frente de todos, esse crime que ele cometeu, de exposição, para me humilhar”, acrescentou.

‘Indiciamento sem provas’

Ela não quis se aprofundar sobre o indiciamento por fraude processual que sofreu após o arquivamento do processo de estupro contra Neymar pela polícia de São Paulo, mas afirmou que foi um “indiciamento sem provas”.

Ela disse que foi bem atendida na DRCI, mas falou sobre a dificuldade de denunciar crimes sexuais pelas mulheres.

“Não tem respeito, até na delegacia fui maltratada, fui humilhada. Hoje eu entendo porque as mulheres se calam, eu estou sendo muito forte”.

Investigação no Rio

Neymar é investigado no Rio de Janeiro somente no caso do vazamento de imagens de Najila nua. O caso foi aberto na cidade porque, na época da divulgação no Instagram do jogador, ele estava treinando na Granja Comary, na Região Serrana do Estado durante preparação da Seleção para a Copa América. Posteriormente, por motivos físicos, o jogador foi cortado.

Em depoimento à polícia, o atleta do Paris Saint Germain informou que um integrante de sua assessoria e um técnico em informática foram os responsáveis por divulgar as imagens da modelo. Ele teria feito apenas um depoimento pessoal, mas não teria feito a edição com imagens de Najila.

Neymar também admitiu ter liberado o teor da conversa, mas declarou, no depoimento na Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), que orientou que preservassem as partes íntimas da mulher, mas que alguns trechos acabaram vazando.

Najila indiciada em São Paulo

A Polícia Civil de São Paulo indiciou Najila Trindade Mendes de Souza por fraude processual, denúncia caluniosa e extorsão no caso em que a modelo acusou o jogador Neymar de estupro durante encontro em Paris no dia 15 de maio. O ex-marido dela, Estivens Alves, foi denunciado por fraude processual e divulgação de conteúdo erótico.

Nesta quarta, o advogado de Najila disse que pedirá o afastamento da delegada.

O indiciamento vem após a conclusão de dois inquéritos que tramitavam pelo 11º DP (Santo Amaro) envolvendo Neymar. As peças são desdobramentos do caso investigado e encerrado junto à 6ª Delegacia de Defesa da Mulher, sob a presidência da delegada Juliana Lopes Bussacos. (G1)

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