Polícia investiga se houve negligência médica na morte de Maradona

-Diego Maradona durante sua apresentação como técnico do Gimnasia La Plata - 8/9/2019 REUTERS/Agustin Marcarian/Reuters
Diego Maradona durante sua apresentação como técnico do Gimnasia La Plata - 8/9/2019 REUTERS/Agustin Marcarian/Reuters

Encerradas as últimas homenagens fúnebres a Diego Maradona, agora a investigação aberta sobre a morte do ídolo argentino começa a ganhar mais espaço. Segundo informações do “Clarín” desta sexta-feira, as autoridades judiciais concluíram o recolhimento de testemunhos das pessoas que estiveram com ele nas suas últimas horas. E foram encontradas contradições.

De acordo com o jornal argentino, o enfermeiro de nome “Ricardo” declarou à Justiça que o seu turno se encerrava às 6h30 de quarta-feira (dia da morte) e que, antes de ir embora, constatou que Diego Maradona apresentava sinais vitais e respirava. O profissional de saúde disse que o ex-jogador tinha descansado a noite toda.

Segundo o resultado preliminar da autópsia, Maradona morreu por uma “insuficiência cardíaca aguda, congestiva e crônica”, o que gerou um acúmulo anormal de líquido no pulmão.

A partir das 6h30 da manhã de quarta-feira até meio-dia, a responsabilidade de acompanhar Maradona passou a ser de uma enfermeira, que já prestou depoimento e contou que a última pessoa que havia visto Diego com vida havia sido seu sobrinho, Johny Espósito. Porém, isso teria ocorrido na terça-feira, às 23h. Essa enfermeira, chamada “Giselda”, teria escutado o ex-jogador se mexer no quarto por volta das 7h30.

Com isso, há contradição com as versões iniciais de que Maradona havia ficado 12 horas sem qualquer tipo de assistência. Foi o que indicara o advogado Matías Morla, em suas redes sociais. O profissional afirmou que Maradona “não teve a atenção devida” durante 12 horas, apesar de ter uma equipe médica disponível em casa, e afirmou que a ambulância chamada para socorrer o astro demorou para chegar.

Também de acordo com a apuração do “Clarín” junto a fontes que cuidam do caso, quando a equipe forense chegou na casa onde Diego Maradona estava instalado, na cidade de Tigre, na grande Buenos Aires, a temperatura do corpo indicava que a morte havia sido perto do meio-dia, como se confirmou na autópsia.

Durante toda a noite de quinta-feira, os investigadores cruzaram os depoimentos com as chamadas de emergência feitas da casa onde Maradona estava e também com as imagens de câmeras de segurança que foram confiscadas, na tentativa de construir a sequência do ocorrido. Há expectativa de avanços já nesta sexta-feira. (G1)