Um levantamento com base no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) 2025 e no Censo da Educação Superior de 2024 aponta que quase metade das vagas de Medicina financiadas pelo Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) está concentrada em cursos de desempenho considerado insatisfatório pelo Ministério da Educação (MEC).
De acordo com os dados, das 19.920 matrículas de Medicina custeadas pelo Fies e avaliadas pelo Enamed, cerca de 9.394 estudantes, o que equivale a aproximadamente 47%, estavam em cursos que obtiveram notas baixas no exame, enquadrados nas faixas 1 e 2, consideradas insatisfatórias pelo Inep.
A análise também indica situação semelhante no Programa Universidade para Todos (Prouni), em que 41% dos bolsistas de Medicina frequentavam instituições mal avaliadas.
O Enamed é uma avaliação aplicada aos estudantes no fim da graduação para medir o nível de aprendizagem e, com base nisso, classificar a qualidade dos cursos. Na edição de 2025, 351 cursos de Medicina foram avaliados, e 107 ficaram nas faixas consideradas insatisfatórias pelo MEC.
O cenário expõe fragilidades na política de financiamento do ensino superior, especialmente em cursos de alto custo, e levanta questionamentos sobre a destinação de recursos públicos para graduações que não alcançam padrões mínimos de qualidade.


