Samarco pede fim do cadastramento das vítimas na tragédia de Mariana

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Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil

A mineradora Samarco acionou a Justiça Federal solicitando para o dia 15 de dezembro o encerramento do cadastramento dos atingidos pela lama que vazou após rompimento da barragem em Mariana (MG).

Após receber o pedido, a Justiça determinou prazo até 6 de dezembro para que os demais envolvidos no assunto se manifestem, entre eles a União, os governos de Minas Gerais e do Espírito Santo, o Ministério Público Federal (MPF) e os dois Ministérios Públicos estaduais, bem como a Defensoria Pública da União e de ambos os estados. Uma audiência para discutir a questão já está agendada para 11 de dezembro.

A tragédia completou quatro anos na semana passada. Para gerir todo o processo de reparação dos danos, um acordo firmado com o poder público pela Samarco e por suas controladoras Vale e BHP Billiton levou à criação da Fundação Renova. Entre as tarefas assumidas pela entidade, está o cadastramento das vítimas – famílias dos 19 mortos, desabrigados, pescadores, agricultores, moradores que ficaram sem água, entre outros – em quase todas as cidades da bacia do Rio Doce. A única exceção é o município de Mariana, onde os atingidos obtiveram na Justiça estadual o direito de realizarem o próprio cadastro, sob a coordenação da Cáritas, entidade que eles escolheram para assessorá-los.

Conforme consta em despacho assinado pelo juiz Mário de Paula Franco Júnior, a Samarco argumentou ser “expressivo e crescente o número de solicitações de cadastro com base em alegações que configuram fraude”. Para a mineradora, tal situação “revela que o longo lapso temporal em que o programa de cadastro vem se mantendo integralmente ativo já permitiu a manifestação daqueles que efetivamente demandavam uma resposta por parte da Fundação Renova no que se refere às indenizações”.

Segundo a Samarco, cerca de 170 mil pessoas solicitaram cadastramento nos últimos quatro anos. “O encerramento do cadastro para recebimento de novas solicitações de indenização está em discussão na Justiça. Trata-se de medida necessária para que a avaliação dos dados possa ser concluída e o pagamento das indenizações para os impactados possa ser finalizado com celeridade, por meio da Fundação Renova”, disse em nota.

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