O jovem Iago Andrade, de 29 anos, morador do bairro Maria Preta, em Santo Antônio de Jesus, foi solto nesta quarta-feira (26), após oito dias preso injustamente. A prisão ocorreu na véspera do feriado de Corpus Christi, no último dia 18, e mobilizou familiares, advogados e amigos em uma intensa luta por justiça [ASSISTA A ENTREVISTA NO FINAL DA MATÉRIA].
A equipe do Voz da Bahia acompanhou a saída de Iago da delegacia e entrevistou, seus familiares e os advogados que atuaram no caso. Segundo o pai do rapaz, pastor Ricardo Magalhães, a prisão se deu após a polícia relacionar o nome de Iago a um chip de celular registrado em Foz do Iguaçu (PR) e vinculado a conversas entre facções criminosas.
“Através de um chip de celular cadastrado no nome dele, na cidade de Foz do Iguaçu, atrelaram crimes ao meu filho. Ele nunca esteve lá. Foi uma dor enorme ver alguém com caráter e conduta ilibada sendo preso injustamente”, desabafou o pai.
Durante os dias de reclusão, Iago ficou em cela comum, o que agravou ainda mais o trauma. “É difícil, ainda mais sendo inocente. Só quero agora ir pra casa e abraçar meu filho de quatro anos”, relatou o jovem ao sair da delegacia.
Os advogados do caso: Drª. Geliane Pinto, Drª. Rita Manuela Santana, Dr. Pábulo Fernandes e Drª. Luana Braz, também relataram as dificuldades enfrentadas no processo judicial, principalmente devido ao recesso do feriado, o que retardou a análise dos recursos.
“Ficou claro que foi uma prisão baseada apenas em um dado de cadastro de um chip, sem elementos mínimos para uma preventiva. Felizmente, conseguimos comprovar que Iago estava no trabalho no momento em que o número foi ativado em outro estado”, destacou a advogada Rita Santana.
A comprovação da inocência de Iago se deu por meio de livros de ponto, registro digital de presença e depoimentos de colegas de trabalho, além da atuação sensível dos delegados Dr. Lucas e Dr. Cristóvão, elogiados pela defesa e pela família.
O advogado Pábulo Fernandes criticou duramente a falha do sistema de Justiça “Essa prisão ilegal é um alerta. O que aconteceu com Iago pode acontecer com qualquer um. A Ordem dos Advogados do Brasil precisa se mobilizar. A prisão não pode ser romantizada.”
A família de Iago, emocionada, agradeceu aos advogados e aos policiais que colaboraram para esclarecer os fatos. A mãe do jovem também fez questão de deixar seu agradecimento “Só tenho gratidão a Deus por tudo que Ele fez. Hoje temos nosso filho de volta.”, declarou com gratidão.
O caso de Iago levanta discussões importantes sobre a responsabilidade no uso de dados pessoais, a celeridade do sistema judiciário em casos de prisão preventiva e os riscos de decisões baseadas em provas frágeis.
O Voz da Bahia seguirá acompanhando os desdobramentos do caso, incluindo eventuais ações de reparação contra o Estado.
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