Brasil retoma produção nacional de insulina após mais de 20 anos com entrega de primeiro lote ao SUS

Parceria entre Funed, Biomm e farmacêutica indiana permitirá fabricação de 50% da demanda nacional e beneficiará cerca de 350 mil pessoas com diabetes até 2026

Paciente fazendo aplicação de insulina — Foto: Pixabay

O Ministério da Saúde recebeu nesta sexta-feira (11) o primeiro lote de insulinas produzidas no Brasil por meio do programa Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDP), marcando a retomada da fabricação nacional após mais de duas décadas de dependência externa. A entrega foi realizada na fábrica da empresa Biomm, localizada em Nova Lima (MG).

O lote inicial é composto por 207.385 unidades, sendo 67.317 frascos de insulina regular e 140.068 de insulina NPH. A produção é fruto de uma parceria entre a Fundação Ezequiel Dias (Funed), a farmacêutica indiana Wockhardt — responsável pela transferência da tecnologia — e a empresa brasileira Biomm.

Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o retorno da produção nacional representa um marco na política de soberania sanitária. “Depois de mais de duas décadas, o Brasil retoma essa fabricação. Isso significa segurança ao SUS, geração de renda e fortalecimento da indústria nacional”, declarou.

Com investimento de R$ 142 milhões, a tecnologia transferida permitirá que o Brasil produza 50% da demanda nacional de insulina humana utilizada pelo Sistema Único de Saúde. O processo de nacionalização é progressivo e inclui etapas como controle de qualidade, embalagem, produção do insumo farmacêutico ativo (IFA) e formulação do medicamento, com meta de alcançar produção totalmente nacional.

A expectativa é de que cerca de 350 mil pessoas com diabetes sejam beneficiadas até 2026, com a entrega de 8,01 milhões de unidades ao SUS. Atualmente, o sistema público oferece quatro tipos de insulina, com tratamento integral e acompanhamento multiprofissional garantido a todos os pacientes cadastrados.

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