Brasil volta a figurar entre os países com mais crianças não vacinadas, aponta relatório da OMS e Unicef

Número de crianças sem primeira dose da tríplice bacteriana mais que dobrou em um ano; país ocupa a 17ª posição entre os que mais concentram menores não imunizados

Foto: Otávio Santos/Secom PMS

O Brasil retornou à lista das 20 nações com mais crianças não vacinadas no mundo, de acordo com dados divulgados nesta segunda-feira (14) pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). O levantamento considera crianças que não receberam a primeira dose da vacina tríplice bacteriana (DTP), que protege contra difteria, tétano e coqueluche.

Em 2023, o país registrava 103 mil crianças sem a imunização. No entanto, esse número saltou para 229 mil em 2024, o que fez o Brasil subir para a 17ª posição no ranking global. No ano anterior, o país havia deixado a lista, após avanços na cobertura vacinal.

O relatório mostra que nove países concentram mais da metade das crianças não vacinadas no mundo: Nigéria, Índia, Sudão, República Democrática do Congo, Etiópia, Indonésia, Iêmen, Afeganistão e Angola. O Brasil aparece atrás de países como Mianmar, Costa do Marfim e Camarões.

Além da tríplice bacteriana, a cobertura vacinal de outras doenças também preocupa. A vacinação contra o HPV alcançou 31% dos adolescentes em 2024, ainda distante da meta global de 90% prevista para 2030. No caso do sarampo, houve leve avanço: a cobertura subiu de 83% para 84% na primeira dose e de 74% para 76% na segunda. Ainda assim, os índices permanecem abaixo dos níveis observados antes da pandemia.

O relatório aponta múltiplas causas para a estagnação e queda nas coberturas vacinais, incluindo o acesso limitado aos serviços de saúde, conflitos, instabilidade política, interrupções no fornecimento de vacinas e a desinformação. Além disso, cortes expressivos na ajuda internacional têm agravado o cenário, deixando milhões de crianças expostas a doenças evitáveis.

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