PF indicia Jair Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro por obstrução em investigação de trama golpista

Ex-presidente e deputado federal são acusados de coação, tentativa de golpe de Estado e articulações internacionais contra autoridades brasileiras

Foto: PR/Marcos Corrêa

A Polícia Federal (PF) indiciou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) no inquérito que apura a obstrução das investigações sobre a tentativa de golpe de Estado após o resultado das eleições de 2024.

O relatório final foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) na sexta-feira (15) e atribui aos dois os crimes de coação no curso do processo e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito.

Eduardo Bolsonaro foi investigado por sua atuação nos Estados Unidos, onde vive desde março, alegando perseguição política. Segundo a PF, ele articulou pedidos de sanções contra autoridades brasileiras, como o chamado “Tarifaço” e a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes.

Aliado próximo da família, o pastor Silas Malafaia também foi alvo de medidas judiciais, incluindo busca e apreensão em sua residência e retenção do passaporte.

O julgamento de Jair Bolsonaro e de outros sete aliados está marcado para 2 de setembro na Primeira Turma do STF, colegiado ao qual pertence o relator do caso, ministro Alexandre de Moraes. A ação penal envolve o núcleo considerado central da trama golpista.

Todos os réus respondem pelos crimes de:

  • Organização criminosa armada
  • Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito
  • Golpe de Estado
  • Dano qualificado por violência e grave ameaça
  • Deterioração de patrimônio tombado

Pedido de asilo
Ainda segundo o relatório, Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar por ordem do STF, teria discutido com aliados a possibilidade de solicitar asilo político ao presidente da Argentina, Javier Milei.

No celular do ex-presidente, a PF encontrou um documento sem data e assinatura contendo um pedido de asilo em caráter de urgência, indicando que ele já planejava deixar o país desde fevereiro de 2024.

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