Robinho nega privilégios em presídio de Tremembé e diz levar rotina igual à de outros detentos

Ex-jogador cumpre pena de nove anos por estupro coletivo e rebate relatos sobre suposto tratamento diferenciado

Preso em Tremembé, Robinho falou pela primeira vez sobre vida na prisão Crédito: Reprodução/Conselho da Comunidade de Taubaté

Preso desde março de 2024 na Penitenciária Doutor José Augusto César Salgado, a P2 de Tremembé (SP), o ex-jogador Robinho falou pela primeira vez sobre seu cotidiano na prisão. As declarações foram feitas em um vídeo divulgado nesta terça-feira (28) pelo Conselho Comunidade de Taubaté, entidade sem fins lucrativos ligada ao Poder Judiciário.

No registro, o ex-atleta negou ter privilégios dentro da unidade e afirmou levar uma rotina igual à dos demais presos. “A alimentação, o horário que durmo, é tudo igual aos outros reeducandos. Nunca comi nenhuma comida diferente, nunca tive nenhum tratamento diferente. Na hora do meu trabalho, faço tudo aqui que todos os outros reeducandos também são possíveis de fazer. Quando a gente quer jogar um futebol, é liberado quando não tem trabalho no dia de domingo”, declarou.

As falas respondem a trechos do livro “Tremembé, o presídio dos famosos”, do jornalista Ulisses Campbell, que descreve supostos privilégios e hierarquias entre detentos de diferentes origens sociais.

“Nunca tive nenhum tipo de benefício. As visitas são aos sábados ou domingos. Quando minha esposa não vem sozinha, vem com meus filhos. A visita é igual e o tratamento é igual para todo mundo. As mentiras que têm saído, que sou liderança, que tenho problema psicológico… nunca tive isso, nunca tive que tomar remédio, graças a Deus. Apesar da dificuldade que é estar numa penitenciária, normal, mas graças a Deus sempre tive uma cabeça boa e estou fazendo tudo aquilo que todos reeducandos também podem fazer”, completou.

Robinho foi condenado a nove anos de prisão por estupro coletivo ocorrido em 2013, em uma boate de Milão, quando jogava pelo Milan. Além dele, outros quatro brasileiros foram acusados de participação no crime contra uma mulher albanesa. A condenação foi confirmada em todas as instâncias da Justiça italiana.

Em 2022, a sentença se tornou definitiva e a Itália solicitou a extradição do ex-jogador, negada pelo Brasil por ele ser cidadão nato. Assim, o ex-atleta cumpre a pena no sistema prisional brasileiro. Tentativas recentes de obter liberdade no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Superior Tribunal de Justiça (STJ) foram rejeitadas.

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