Cruzamento entre Aedes comum e transgênico cria “super mosquito” da dengue na Bahia

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-Foto: Bruno Concha/Secom
Foto: Bruno Concha/Secom

Entre os anos de 2013 e 2015, um estudo realizado pela empresa britânica Oxitec liberou cerca de 12 milhões de mosquitos Aedes aegypti transgênicos machos na cidade de Jacobina, no Centro-Norte da Bahia. Na época, o parecer técnico com a autorização foi emitido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio).

A proposta inicial seria a de utilizar o “novo” inseto para conter a população do mosquito já existente, no entanto, o cruzamento entre o animal comum com o transgênico acabou criando um “super mosquito” da dengue, febre amarela, zika e Chikungunya, no estado. A informação foi divulgada na terça-feira (10), em um artigo publicado pela Scientif Reports, do grupo Nature Research.

Conforme a publicação, os pesquisadores da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, da Universidade de São Paulo (USP), do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Entomologia Molecular e da Moscamed Brasil que assinam o estudo tratam o assunto como uma “anomalia”. Eles afirmam que a chamada introgressão (troca genética) teria feito com que de 10% a 60% dos mosquitos Aedes carreguem ao menos um gene do encontrado no inseto geneticamente modificado, o OX513A.

O que se era esperado inicialmente é que uma pequena proporção desses animais, cerca de três a quatro por cento, iria atingir a idade adulta e, mesmo que chegassem a esse estágio, não conseguiriam se reproduzir. Contudo, estudos apontam que os “novos” mosquitos não só são potenciais transmissores de doenças, como podem ainda ser mais resistentes que os anteriores.

Investigação

Em contato com o Varela Notícias, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação afirmou que o caso já está sendo avaliado pela Presidência e Vice-Presidência da CTNBio e que pesquisadores independentes estão sendo consultados. Contudo, ainda não existe a comprovação de que o inseto seja mais resistente ou capaz de causar danos à população e ao meio ambiente.

As liberações, conforme o Ministério, são monitoradas pela CTNBio e o Relatório Final do Monitoramento Pós-Liberação Comercial do Mosquito e o caso “será examinado em caráter de urgência na próxima Reunião Ordinária da Comissão nos dias 2 e 3 de outubro”. Esta reunião será feita para monitorar e acompanhar as pesquisas e entender quais serão as providências tomadas daqui em diante.

“A CTNBio é o órgão competente para a avaliação dos potenciais impactos da tecnologia e que, em caso da verificação de possíveis riscos, possui atribuições para garantir que sejam tomadas ações eficazes no controle de possíveis impactos negativos. O Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações está acompanhando o assunto e possui pessoal técnico destacado para monitorar e, se necessário, obter novos estudos e análises sobre o tema”, finalizou.

O Ministério Público da Bahia (MP-BA) também foi procurado e informou ao VN que um procedimento será instaurado para apurar a veracidade dos fatos, no entanto, ainda não há informações detalhadas sobre o caso, uma vez que as informações são preliminares. É possível, contudo, que caso o MP participe das investigações, a ação aconteça em parceria com o âmbito federal.

As Secretarias de Saúde da cidade de Jacobina e do Estado da Bahia (Sesab) foram procuradas pelo VN, mas não retornaram até o fechamento desta matéria. (Varela)

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