Em vídeo, PT compara EUA ao “Lobo Mau dos Três Porquinhos” e defende o Pix

Campanha da legenda critica lobby de cartões e reage a investigação norte-americana sobre pagamentos digitais no Brasil

Na peça, o Lobo Mau ataca o Pix e aparece usando uma roupa com a bandeira dos EUA / Foto: Reprodução

O Partido dos Trabalhadores (PT) divulgou nesta sexta-feira (25) um vídeo nas redes sociais em defesa do Pix e com duras críticas aos Estados Unidos. A peça publicitária, veiculada no X (antigo Twitter) e Instagram oficiais do partido, faz parte da campanha “Soberania Nacional” e utiliza a fábula dos “Três Porquinhos” para ilustrar a tensão comercial entre os países.

Na animação, o sistema Pix é representado como uma casa inabalável diante do “Lobo Mau”, que seria os Estados Unidos. Segundo a narradora do vídeo:

“Era uma vez um porquinho e sua casa de débito, o lobo veio e soprou, soprou e levou 3%. O segundo fez uma casa de crédito, o lobo voltou, soprou, soprou e levou 5%. Na última casa, feita de Pix, o lobo bateu, bateu e não conseguiu nada.”

A crítica é uma resposta à investigação aberta pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês), que anunciou em 15 de julho que irá apurar práticas brasileiras relacionadas a pagamentos eletrônicos que, segundo o órgão, “podem prejudicar a competitividade de empresas americanas”.

Embora o Pix não tenha sido citado diretamente, autoridades brasileiras avaliam que o sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central está no centro das preocupações americanas — supostamente influenciadas por lobby de grandes bandeiras de cartão de crédito, como Visa e Mastercard, que perdem mercado com o crescimento do Pix.

Na legenda da publicação, o PT afirma:

“Débito, crédito… o lobo sempre levava uma fatia. Mas com o Pix, a história mudou. Sem taxas, sem intermediários, sem lucro pros mesmos de sempre. Agora que o Pix virou símbolo de soberania e inclusão, querem bater à porta do Brasil.”

Escalada nas tensões diplomáticas

A investigação norte-americana acontece em meio ao agravamento das relações diplomáticas entre os dois países. Em 9 de julho, o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. Em carta, justificou a medida alegando que o Brasil trata “com desrespeito” o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a quem chamou de “líder altamente respeitado no mundo”.

Além disso, os EUA revogaram os vistos de oito ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), após medidas restritivas impostas pela Corte a Bolsonaro. De Washington, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente, tem defendido sanções contra o Brasil e cobra uma “anistia ampla, geral e irrestrita” para os condenados pela tentativa de golpe de Estado.

google news
senac