Ainda Estou Aqui: Globo é criticada por escalar filha de ditador para transmistir o Oscar

A jornalista será responsável por cobrir a cerimônia, enquanto o filme ‘Ainda Estou Aqui’, que aborda a ditadura militar, concorre ao prêmio.

Foto: Reproduçã/Instagram @beltraomaria

A Globo tem gerado discussões nas redes sociais ao anunciar a jornalista Maria Beltrão como apresentadora da cobertura do Oscar deste ano, que será transmitido no dia 2 de março.

A escolha de Beltrão levanta críticas devido à sua ligação familiar com Hélio Beltrão, seu pai, ex-ministro durante os governos de João Figueiredo e Costa e Silva, e signatário do Ato Institucional nº 5 (AI-5) em 1968, um decreto que endureceu o regime militar e restringiu as liberdades civis no Brasil. Hélio Beltrão faleceu em 1997, mas sua trajetória continua a gerar controvérsia.

O filme Ainda Estou Aqui, que concorre a prêmios de Melhor Filme, Melhor Atriz e Melhor Filme Internacional, retrata justamente a repressão da ditadura militar, incluindo o assassinato de Rubens Paiva, militante político, pelo regime. A escolha de Maria Beltrão para o evento, dado o contexto do filme, não foi bem recebida por alguns internautas.

“Mesmo que a Maria Beltrão, que é um doce, não seja responsável pelas ações de seu pai, a decisão da Globo é de uma insensibilidade histórica tão gigantesca”, comentou uma usuária no X. Outra internauta também demonstrou desaprovação, afirmando: “Não, não é de bom tom.”

Por outro lado, houve quem defendesse a profissionalismo da jornalista, destacando que ela não pode ser responsabilizada pelas ações de seu pai. “A tentativa de anular um indivíduo pelo pertencimento a um clã parental é digna de totalitarismos”, disse um defensor. “Ela é ela, não se confunde com familiar nenhum”, reforçou outro internauta.

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