‘Problema dele’, diz Mourão sobre tuíte de Carlos Bolsonaro; veja reações

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-O presidente em exercício Hamilton Mourão fala à imprensa (Antonio Cruz/Agência Brasil)
O presidente em exercício Hamilton Mourão fala à imprensa (Antonio Cruz/Agência Brasil)

O presidente em exercício, general Hamilton Mourão, afirmou nesta terça-feira, 10, que as declarações do vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), por meio de post no Twitter, de que regimes democráticos dificultam a implementação de mudanças, são “problema dele”. Em contraponto ao filho do presidente Jair Bolsonaro, ele defendeu que a democracia é “fundamental” e que é “lógico” que é possível fazer mudanças no país por meio do diálogo com o Congresso.

“Lógico, senão a gente não tinha sido eleito”, disse Mourão. “Temos que negociar com a rapaziada do outro lado da Praça (dos Três Poderes). É assim que funciona. Com clareza, determinação e muita paciência”, afirmou. Questionado diretamente sobre a fala do vereador, Mourão respondeu: “Carlos Bolsonaro, vocês perguntam para ele”. “Isso é problema dele, pergunte a ele”, reagiu.

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 (Reprodução/Reprodução)

Mourão foi questionado sobre o assunto na entrada do Palácio do Planalto, onde continua despachando do gabinete da vice-presidência na ausência de Bolsonaro. Ele deve permanecer interinamente no cargo até quinta-feira 12. “(A democracia é) Fundamental, são pilares da civilização ocidental. Vou repetir para você: pacto de gerações, democracia, capitalismo e sociedade civil forte. Sem isso, a civilização ocidental não existe”, declarou o vice.

Maia

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), também criticou o post de Carlos Bolsonaro e disse que os agentes públicos precisam ter responsabilidade sobre o que falam. “É uma declaração que não cabe num país democrático. […] Frases como essa devem colaborar muito com a insegurança dos empresários brasileiros e estrangeiros de investir no Brasil. A conta das nossas frases quem paga é o povo mais pobre. Cada um de nós tem que refletir e tomar muito cuidado com o que diz”, disse.

O presidente da Câmara declarou ainda que o crescimento abaixo das expectativas é consequência também desse tipo de comportamento. “Tem alguma variável de sinalização que os agentes públicos estão dando, de todos os Poderes, que está gerando insegurança aos investidores. A gente tem que compreender os motivos de uma redução tão drástica da nossa expectativa de crescimento deste ano”, afirmou.

Maia julgou também que a situação da Venezuela, ao abrir mão de um sistema democrático, fez com que ninguém mais quisesse investir lá. “Democracia é o sistema que dá estabilidade aos países, confiança, tranquilidade para investimentos a longo prazo, que é o que precisamos para gerar empregos”, concluiu.

Alcolumbre

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), afirmou que a democracia está fortalecida no Brasil e manifestou “desprezo” por comentários no sentido contrário ao ser questionado sobre o post de Carlos Bolsonaro. “No Senado, o Parlamento brasileiro, a democracia está fortalecida, as instituições estão todas pujantes, trabalhando a favor do Brasil. Então, uma manifestação ou outra em relação a esse enfraquecimento tem da minha parte o meu desprezo”, disse.

Ciro Gomes

O ex-ministro da Fazenda e ex-governador do Ceará, Ciro Gomes (PDT), que foi candidato à Presidência da República no pleito de 2018, também reagiu duramente ao post. “Veja, esse rapaz é um percevejo desses que infestam a vida brasileira e, portanto, ele não merecia qualquer tipo de reflexão. O problema é que ele é um filhote do Bolsonaro e ele só pode merecer uma reflexão na proporção que isso representar um pensar do Bolsonaro”, disse Ciro, que participou como espectador dos debates travados nesta terça-feira, 10, do 16º Fórum de Economia que a Fundação Getulio Vargas (FGV) realiza desde segunda 9 na capital paulista. (Veja)

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