Imagens divulgadas nesta semana revelam que Jeferson de Souza, de 24 anos, estava rendido no momento em que foi baleado por policiais militares no Viaduto 25 de Março, em São Paulo, no dia 13 de junho. As gravações, feitas pelas câmeras corporais dos agentes, mostram o jovem sob a mira de um fuzil e com as mãos na cabeça antes dos disparos.
O registro visual também revela que, em determinados momentos, um dos policiais usa a mão para cobrir a lente da câmera. O áudio da abordagem não foi gravado, pois os agentes só acionaram o recurso após os tiros. De acordo com o boletim de ocorrência, os PMs alegaram que o jovem tentou agarrar a arma de um deles.
Durante a abordagem, que durou cerca de uma hora, Jeferson foi levado para trás de uma pilastra, longe do fluxo de veículos. Ele chorou, dialogou com os policiais e chegou a estender os braços como se aguardasse para ser algemado. Instantes depois, a câmera foi tampada e os disparos ocorreram.
Após a chegada da ambulância e de outras viaturas, um dos policiais afirmou: “A gente estava trocando ideia, ideia, ideia… Quando ele viu que ia perder, tentou a sorte. O cara é louco. Pior que eu estava querendo liberar o cara.”
Os policiais envolvidos, o tenente Alan dos Santos Moreira e o soldado Danilo Gehrinh, foram presos no final de julho e estão custodiados no Presídio Militar Romão Gomes. A defesa do tenente alega legítima defesa e promete apresentar provas. O soldado preferiu não se manifestar. Ambos responderão por homicídio qualificado.
Quem era Jeferson
Natural de Craíbas, no interior de Alagoas, Jeferson se mudou para São Paulo em 2019, após a morte da mãe. Sem familiares próximos na capital, acabou em situação de rua. Segundo a irmã, Micaele Soares, ele sonhava em se tornar jogador de futebol.
A família tenta arrecadar cerca de R$ 15 mil para levar o corpo ao município natal e realizar o sepultamento. O corpo ainda permanece no Instituto Médico Legal (IML) da capital paulista.


