A representante do Grupo de Coalizão em Defesa do Território Sagrado da Ilha de Itaparica, Adenildes Aloni, conhecida como Dedéia, criticou a construção da Ponte Salvador-Itaparica e afirmou que as comunidades tradicionais da ilha não foram consultadas antes do início do empreendimento.
Em entrevista exclusiva ao Voz da Bahia, ela explicou que o movimento reúne lideranças de comunidades pesqueiras, marisqueiras, quilombolas, indígenas, povos de terreiro e outros grupos tradicionais.
Segundo Adenildes, o principal questionamento não é apenas a construção da ponte, mas a falta de consulta prévia, livre e informada prevista na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
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“Não houve consulta prévia, livre e informada. O que aconteceu foram reuniões informativas, e isso não substitui o direito de consulta previsto na Convenção 169”, afirmou.
Ela também alertou que os impactos vão além da ponte e incluem todo o Sistema Viário Oeste (SVO), que, segundo a representante, poderá alterar significativamente a dinâmica ambiental e social da Ilha de Itaparica.
De acordo com Adenildes, a abertura de novas vias poderá afetar áreas de manguezal, vegetação nativa, rios, comunidades pesqueiras e espaços considerados sagrados por religiões de matriz africana.
“O problema não é só a ponte. O Sistema Viário Oeste vai modificar o modo de vida das comunidades. Muitas pessoas ainda não conhecem a dimensão desses impactos”, declarou.
A representante informou que o grupo já levou a discussão a órgãos públicos e instituições nacionais e internacionais. Segundo ela, documentos foram encaminhados ao Ministério Público, à Organização das Nações Unidas (ONU) e uma carta também foi preparada para ser entregue ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante sua visita à Bahia.
Ao ser questionada sobre sua posição em relação ao projeto, Adenildes foi categórica.
“Sou contra, principalmente pela forma como ele está sendo conduzido. Não é uma questão política. É uma questão de direitos e de futuro.”
Ela afirmou ainda que a coalizão reúne cerca de 158 terreiros, além de comunidades tradicionais e grupos culturais da Ilha de Itaparica, e defendeu que o desenvolvimento da região precisa respeitar os direitos territoriais das populações locais.





