Netanyahu vence eleições em Israel, mas fica sem maioria e enfrenta impasse para formar governo

Bloco governista conquista 53 das 120 cadeiras do Parlamento; oposição obtém 48 assentos e partidos árabes ampliam representação

Foto: Alan Santos/PR

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, terminou à frente nas eleições legislativas realizadas na terça-feira (27), mas não conseguiu maioria para formar um novo governo. Com 100% dos votos apurados, o bloco governista conquistou 53 das 120 cadeiras do Knesset, o Parlamento israelense.

A oposição liderada por Gadi Eisenkot obteve 48 assentos, enquanto partidos árabes conquistaram as 19 vagas restantes. Para garantir maioria parlamentar, são necessários pelo menos 61 deputados. Dessa forma, o resultado abre uma nova rodada de negociações políticas. Tanto Netanyahu quanto seus adversários precisarão buscar apoio de outras legendas para formar uma coalizão capaz de governar.

Likud continua como maior partido, mas perde cadeiras
O Likud, partido de Netanyahu, recebeu 20,5% dos votos e conquistou 27 cadeiras. O resultado representa cinco assentos a menos em comparação com as eleições de 2022. Na segunda posição ficou o Yashar, liderado por Eisenkot, que estreou em eleições legislativas e obteve 16,1% dos votos, garantindo 21 cadeiras. Embora Netanyahu tenha terminado à frente, a distribuição das vagas mostra a dificuldade de reunir apoio suficiente para assegurar a continuidade de seu governo.

Presidente Isaac Herzog terá papel nas negociações
Com o Parlamento dividido, o presidente de Israel, Isaac Herzog, deverá consultar as principais lideranças políticas para avaliar as possibilidades de formação de governo. Entre os cenários discutidos está uma coalizão de unidade nacional, que poderia reunir partidos de campos políticos diferentes. Herzog deverá conversar com Netanyahu e Eisenkot nos próximos dias. Caso nenhuma composição alcance maioria, o país poderá enfrentar uma nova eleição.

Partidos árabes ampliam representação parlamentar
Um dos destaques do pleito foi o desempenho dos partidos árabes, que conquistaram juntos 19 cadeiras. A Lista Conjunta ampliou sua bancada de cinco para 11 deputados. Já a Lista Árabe Unida, conhecida como Ra’am, passou de cinco para oito assentos.
O resultado aumenta a influência dessas legendas nas negociações para formar o próximo governo. O líder da Lista Conjunta, Yousef Jabareen, defendeu o diálogo entre os partidos interessados em substituir Netanyahu. As legendas sinalizaram disposição para favorecer um governo liderado por Eisenkot, embora ainda existam obstáculos para uma aliança formal.

Oposição enfrenta divergências sobre possíveis alianças
A aproximação com os partidos árabes divide a oposição. Avigdor Lieberman, líder do Yisrael Beiteinu, afirmou que aceitaria participar apenas de coalizões formadas por partidos sionistas.
Lieberman também admitiu a possibilidade de uma composição com o Likud, desde que Netanyahu não integrasse o futuro governo.

Outra alternativa seria um governo minoritário liderado por Eisenkot. Nesse cenário, os partidos árabes poderiam ajudar a viabilizar sua formação por meio de abstenções em votações decisivas, sem integrar formalmente a coalizão.
No entanto, essa possibilidade dependeria de negociações e de acordos entre as diferentes forças políticas.

Suspeitas de interferência estrangeira geram controvérsia
A Comissão Eleitoral Central de Israel solicitou uma investigação sobre suspeitas de interferência estrangeira no processo eleitoral. As alegações envolvem a suposta utilização de recursos provenientes do Catar para incentivar a participação de eleitores árabes por meios considerados ilegais. O Likud classificou as suspeitas como uma ameaça à democracia israelense.

O governo catariano rejeitou as acusações. Em manifestação oficial, o Ministério das Relações Exteriores do país criticou as declarações e afirmou que o Catar tem sido alvo de acusações contraditórias. Até o momento, as informações apresentadas no material original não comprovam interferência estrangeira no resultado das eleições.

Lideranças árabes contestam acusações
Representantes dos partidos árabes também reagiram à controvérsia. Sami Abou Shahadeh, dirigente do Balad, integrante da Lista Conjunta, acusou o governo Netanyahu de utilizar as suspeitas para questionar a legitimidade do resultado. Segundo ele, as acusações tentam descredibilizar a participação política da população árabe israelense. A troca de acusações amplia as tensões entre o bloco governista e as lideranças árabes, cujos votos podem ter peso decisivo nas negociações parlamentares.

Israel enfrenta incerteza sobre o próximo governo
A falta de maioria parlamentar deixa Israel diante de diferentes cenários. Netanyahu poderá tentar ampliar seu bloco com novos aliados, enquanto Eisenkot precisará superar divergências entre os partidos de oposição. Além disso, o crescimento da representação árabe aumenta a importância das negociações, embora diferenças ideológicas dificultem a formação de alianças.
As consultas conduzidas pelo presidente Isaac Herzog serão decisivas para avaliar as possibilidades de composição. Sem um acordo que reúna apoio suficiente no Knesset, Israel poderá voltar às urnas.

Fonte: IstoÉ e ANSA.

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