Justiça da Bahia concede liberdade a segurança de miliciano morto em ação policial, diz promotor

Adriano Magalhães da Nóbrega, miliciano e chefe do Escritório do Crime — Foto: Reprodução

A Justiça da Bahia concedeu liberdade ao homem, de prenome Leandro, que fazia a segurança do miliciano Adriano Magalhães da Nóbrega, morto em ação policial na cidade de Esplanada. Para sair da prisão, o homem terá que pagar fiança e usar tornozeleira eletrônica. A informação foi divulgada nesta terça-feira (11), pelo promotor do Ministério Público da cidade de Esplanada, Dário José Kist.

“O Ministério Público entendeu que a hipótese do Leandro era de conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva. Foi o requerimento que nós fizemos exatamente por conta da percepção de que Leandro tinha plena ciência de quem era o seu hóspede e muito provavelmente a participação em uma associação criminosa, do esquema criminoso que Adriano participava”, disse o promotor.

“Por conta disso, nós requeremos que a prisão em flagrante fosse convertida para prisão preventiva, mas o magistrado assim não entendeu. Ele entendeu por conceder a liberdade provisória diante de algumas condições, como fiança e monitoração eletrônica”, contou Dário José Kist.

Segundo Maurício Barbosa, secretário de Segurança Pública da Bahia, Leandro foi quem indicou aos policiais o sítio onde estava o ex-capitão do Bope, apontado como chefe do Escritório do Crime.

O G1 entrou em contato com a assessoria da Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), que disse que não vai informar se Leandro Abreu Guimarães já foi solto.A reportagem entrou em contato também com a assessoria do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) e, até a última atualização desta reportagem, aguardava posicionamento sobre o caso.

De acordo com o promotor Dário José Kist, existem duas investigações paralelas sobre o caso. A primeira investiga a posse de armas e a segunda o ato de resistência do miliciano Adriano Magalhães da Nóbrega.

“Temos duas operações paralelas. Uma é sobre o fato da posse das armas, que é uma investigação adiantada, em especial porque Leandro assumiu a posse das armas. Falta nesse caso apenas o laudo pericial para comprovar se as armas tinham capacidade de reproduzir os disparos, e assim que esse laudo for produzido, o MP terá condições de promover ação penal contra ele”, explicou o promotor.

“A outra investigação quer esclarecer se efetivamente houve a resistência e a dificuldade geral dos policiais que participaram da operação. Existe uma tendência de efetivamente se acreditar que houve a resistência, o que torna a reação dos policiais legítima mas, eu repito, é um dado que está sendo investigado”, acrescentou.

Adriano foi morto em um confronto com policiais militares no domingo (9), em um sítio na zona rural de Esplanada, a cerca de 168 km de Salvador. O sítio pertence a um vereador do PSL na Bahia, que em nota afirmou não conhecer Adriano. O vereador Gilson Neto disse ainda que solicitou à Secretaria de Segurança Pública da Bahia brevidade nas investigações e destacou que está à disposição das autoridades competentes “para colaborar para que os fatos sejam esclarecidos com máxima brevidade”.

Após investigações do serviço de inteligência do Rio de Janeiro, o segurança preso foi achado pela polícia em uma casa distante alguns quilômetros do sítio.

Segundo Maurício Barbosa, secretário de Segurança Pública da Bahia, que conversou com a imprensa na segunda-feira (10), o segurança contou aos policiais que não sabia do histórico de crimes do miliciano.

Caso

Foragido há mais de um ano, Adriano era alvo de mandado de prisão expedido em janeiro de 2019.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP-BA), o ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar do Rio de Janeiro passou a ser monitorado por equipes do órgão a partir de informações de que ele teria buscado esconderijo na Bahia. O advogado de Adriano disse que o miliciano temia ser alvo de uma “queima de arquivo”.

Em nota, a SSP-BA afirmou que Adriano era suspeito de envolvimento no assassinato de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em março de 2018. O nome do miliciano, no entanto, não consta do inquérito que investiga a morte da vereadora.

Segundo a Secretaria de Polícia Civil do Rio de Janeiro (Sepol), Adriano da Nóbrega era investigado havia um ano pelo setor de inteligência do órgão e pelo Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público. Ao longo desse período, os agentes monitoraram o ex-policial militar para localizá-lo.

Adriano era um dos denunciados da Operação Intocáveis, coordenada pelo Gaeco do Rio de Janeiro.

Quando ela foi deflagrada, em janeiro de 2019, uma força-tarefa do Ministério Público e da Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu cinco homens acusados de integrar milícia que atuava em grilagem de terra, agiotagem e pagamento de propina em Rio das Pedras e na Muzema, duas favelas de Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio.

O ex-policial era um dos três integrantes considerados chefes do grupo e o único foragido daquela operação. (G1/Ba)

Miliciano foi encontrado com quatros armas e 13 celulares — Foto: Divulgação/SSP-BA
Miliciano foi encontrado com quatros armas e 13 celulares — Foto: Divulgação/SSP-BA