O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou nesta sexta-feira (18) que a operação judicial envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não tem relação com as negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Segundo ele, a condução da investigação cabe exclusivamente ao Poder Judiciário e não interfere nas tratativas sobre tarifas de importação.
“Cabe ao Poder Judiciário, não é atribuição do Poder Executivo”, disse Alckmin ao deixar o Ministério do Desenvolvimento, onde realizou reuniões com representantes de diversos setores da indústria nacional. “Tivemos uma semana de trabalho intenso, ouvindo todo o setor produtivo, a indústria, o agro, e hoje ouvimos o setor da mineração, que tem também uma interface grande com os Estados Unidos.”
Questionado novamente sobre o impacto da operação na política externa, o vice-presidente foi enfático ao reforçar que “a imposição de medidas cautelares [a Bolsonaro] não pode e não deve” interferir nas negociações comerciais. Ele destacou o princípio da independência entre os Poderes como fundamento da democracia.
“A separação dos Poderes é base do Estado de Direito, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. Os Poderes são independentes, isso é de Montesquieu, isso não é de hoje”, afirmou. “Não há relação entre uma questão jurídica ou política e tarifa. É até um precedente muito ruim essa relação entre política tarifária, que é regulatória, sobre questões de outro Poder”, completou.
As declarações ocorrem no contexto das reações à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que impôs medidas cautelares ao ex-presidente, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica. A ação foi motivada pela suspeita de tentativa de golpe de Estado e coação no curso de processo judicial.





