Rui Costa convida Datena para conversar após fusão DEM-PSL

O governador da Bahia, Rui Costa (PT), comentou ontem como anda a relação da Bahia e de outros estados com o governo federal. Em entrevista à Rádio Bandeirantes, o petista avaliou a cena política e fez projeções políticas. Ele disse que o presidente Jair Bolsonaro dificulta o relacionamento ao tentar transferir suas atribuições aos governadores, incluindo os constantes aumentos nos preços dos combustíveis e do gás de cozinha. 

“Ele sempre escolheu, ao longo do mandato, os governadores como bode expiatório. Tudo que dá errado no governo ele tenta dizer que a responsabilidade é dos governadores. É inaceitável o que acontece com a Petrobras, um monopólio controlado pelo governo que deixa a população refém, sem gás de cozinha, algo elementar na alimentação”, ressaltou, criticando a estatal petrolífera pela política adotada na dolarização do preço dos combustíveis. 

“O que a Petrobras fez nos últimos anos é inaceitável para a autonomia nacional. Ela diminuiu a produção nas refinarias brasileiras, concentrou apenas em óleo de águas brutas, e passou a importar os derivados. Isso devia estar vinculado a situações em que o produto está mais barato lá fora. Esse descontrole econômico com a elevação do dólar associado à diminuição da produção causou a explosão nos preços. A economia se descontrolou. O Brasil está à deriva”, completou. 

No papo, Rui oficializou um convite ao apresentador José Luiz Datena, que se filiou ao PSL e pode ser candidato à Presidência no ano que vem. “Quero conversar com você sobre política, sobre o Brasil. Precisamos juntar os homens e mulheres de bem para salvar o nosso país. Vamos almoçar ou jantar para conversar, como quero conversar com outras pessoas. O Brasil precisa de você, de mim, do Alckmin, do Lula, de todo mundo que possa ajudar a salvar o país de toda essa tragédia que estamos vivendo”, disse o governador. 

Na entrevista, Datena criticou a fusão do PSL com o DEM e disse que pode desistir de ser candidato caso isso aconteça. Rui endossou.  “Comigo já começou a dar pepino. Antes da fusão, o Mandetta começou a fazer campanha política. Eu já lhe dei um cacete logo de cara, porque eu tinha direito de ser candidato pelo PSL”, reclamou o jornalista. “Se não for, eles que fiquem com o dinheiro deles e o horário de televisão deles. Eu falo em televisão há 50 anos”, completou, afirmando que não foi consultado sobre a fusão. 

Ainda no papo, Datena disse desconfiar que o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, seja lançado pelo União Brasil na eleição de 2022. Rui, então, afirmou que concorda com as críticas e que quer conversar com o apresentador.   

COVID – Ainda no papo, Rui disse que não irá autorizar a volta do público aos estádios de futebol apenas para acompanhar a flexibilização definida pelo Conselho Técnico de clubes da Série A do Campeonato Brasileiro para a 23ª rodada. Bahia foi o único estado a rejeitar o retorno. 

“Estamos em queda comparando com março, o pior mês da pandemia desde o início, quando chegamos a 22 mil casos positivos e 2 mil pessoas internadas em UTI. De lá para cá, conseguimos entrar em queda, especialmente a partir da vacinação. Vínhamos caindo, chegamos a ter 2 mil contaminados, com internações caindo bastante, mas infelizmente tivemos um repique, na semana passada o patamar subiu 35%”, explicou. 

“Portanto seguramos qualquer medida adicional de abertura para segurar a contaminação. Não gosto de ir no ‘oba-oba’. O processo de abertura tem que ser cauteloso para não jogarmos fora tudo que já fizemos. O vírus é perigoso, sofre mutações, fica difícil combatê-lo. Espero que na semana que vem tenhamos números mais baixos. Se baixarem de forma consistente por uma ou duas semanas, voltaremos a liberar estádios”, completou. (TRBN)