Pastor Isidório torce pela eleição de Lula e diz: “Percebi que tem alguma coisa errada com Bolsonaro”

Foto: Paulo M. Azevedo/ BNews

Deputado estadual por dois mandatos e atualmente deputado federal pelo Avante, o Pastor Sargento Isidório concedeu uma entrevista exclusiva ao BNews na sede da Fundação Doutor Jesus, entidade assistencial de apoio a dependentes químicos e de álcool que ele mantém na cidade de Candeias, na Região Metropolitana de Salvador (RMS).

Na conversa, Isidório falou sobre o lançamento da pré-candidatura de seu filho, Tancredo Isidório, a deputado estadual, do apoio a pré-candidatura ao Governo do Estado de Jerônimo Rodrigues (PT), relação com o presidente Jair Bolsonaro (PL) e torcida pela eleição do ex-presidente Lula (PT), mesmo tendo um pré-candidato à Presidência do Avante.

Com a morte de Isidório Filho, o senhor pretende lançar seu outro filho, Tancredo Isidorio, como pré-candidato a deputado? 

“Não tem jeito. A Fundação Doutor Jesus não subsiste se não tiver ajuda do Governo do Estado, que é a única ajuda que ela tem, de Jaques Wagner para cá e Rui Costa continuou. Tancredo foi criado aqui dentro, o pastor Isidório Filho, que foi morar no céu, também foi. Meus filhos todos são daqui. Então, o convênio do Estado, quem ajuda é o deputado estadual, o mandato estadual. Não é o meu mandato de federal. Ter um deputado estadual é importante e eu tenho dito que, se alguém porventura só tiver um voto para me dar, me dê o de estadual. Digo isso porque é mais importante eu ter um estadual do que eu ser federal. Eu não tenho essa vaidade. Ele é o filho mais velho, é o que administra a Fundação e que está comigo aqui dentro. Então, na ausência do outro, que era mais agarrado politicamente comigo, a gente bota o nome à disposição. Mas é a mão de Deus e o dedo do povo. Toda vez que abre a urna, não é meu voto nem voto dele, é um voto à Fundação, à obra social”.

O senhor tem uma relação muito boa com o governador Rui Costa e está sempre nos eventos da pré-candidatura de Jerônimo Rodrigues, inclusive fez até um jingle em apoio ao nome dele para as eleições. O senhor acha que Jerônimo terá mesmo “coragem” para enfrentar o desafio?

“Coragem para manter o projeto da ponte Salvador-Itaparica, para continuar ampliando a saúde para todo o estado, hospitais, policlínicas, coragem para implantar um novo modelo de escolas no governo Rui Costa, em tempo integral, com salas de aula com oficinas. O próprio Jerônimo é quem vem há muito tempo por trás dos bastidores, Rui Costa já vem dizendo isso e não é novidade. Quem fez o plano de governo de Rui nos dois mandatos foi Jerônimo. Muitos pensam que ele é acanhado, mas ele está se abrindo. É aquela história, não depende de ser político para administrar. Tem de ser um Rui Costa, um administrador e depois virar político. Quando Wagner falou em botar Rui eu falei: ‘Vai botar uma miséria dessa? Não vai para lugar nenhum. O cara fala olhando no celular, pegando no óculos, não olha para a pessoa’. Mas esse era o perfil, o jeito dele. Eu não sabia que era um economista, um homem sério, compulsivo e trabalhador. Hoje, o Brasil sabe que Rui tem compulsão por trabalho. Então, quem pensa que Jerônimo não é conhecido, que não é político, está enganado, porque ele sabe fazer. E o bom do político é tratar todo mundo com igualdade”. 

Deputado, o que senhor tem achado das pesquisas que apontam o pré-candidato ACM Neto à frente na disputa pelo Governo do Estado e como vê o desempenho de Jerônimo Rodrigues nos levantamentos, ainda tem margem para crescimento? 

“A campanha não começou ainda. Esses PGP ‘s são um modelo de esquerda do PT que eles vão a um determinado tipo de povo e tratam de educação, saúde, segurança pública e depois que a campanha vai para a televisão. Os outros candidatos já estão há muito tempo conhecidos. Jerônimo foi botado à prova agora, a partir do momento em que Wagner não pode disputar por necessidade de estar perto da campanha do Lula, então, o nome fácil foi o de Jerônimo. Jerônimo será conhecido. Ele é candidato a continuar levando a Bahia para a frente, a continuar fazendo estrada onde não tinha. Salvador sem Jaques Wagner e Rui Costa é outra cidade. Se tirar as obras do Governo do Estado de Salvador, não tem outras obras estruturantes. Não tenho esse negócio com partido. Sempre digo que o partido se prestasse era inteiro. Pode ser PT, PSDB, União, Avante, qual for o partido, é tudo partido”.

Seu partido nacionalmente já tem uma candidatura à Presidência que é o André  Janones. Como é a sua relação com a executiva nacional do Avante? E o senhor irá pedir voto para ele ou seguirá a linha de Rui Costa e pedir voto para Lula?

“Olha, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Todo mundo sabe o meu respeito que tenho por Wagner, por Rui, por Otto, pelos políticos que estão comprometidos com o projeto que está na Bahia. Todo mundo sabe disso. Todo mundo sabe que quem me encontrou aqui falido, pedindo esmola foram os políticos do PT na Bahia. Foram eles que me ajudaram a sair das feiras. Sobre a candidatura do Avante, como qualquer cidadão que cumpre a lei, eu tenho de estar ao ordenamento jurídico. E o ordenamento jurídico eleitoral diz que o candidato tem de estar atrelado ao seu partido. Então, a partir do momento que o Avante lança um candidato, mesmo com todo respeito e admiração que eu tenho, que aprovo o governo, com exceção dessas questões de família, mas na questão administrativa de Lula, eu gostaria de votar com ele. Mas se o meu partido tiver candidato, eu não posso fazer isso porque estarei sendo desrespeitoso com a lei eleitoral. Mas não posso negar que o meu coração gosta da maneira que foi feito o governo de Lula, que governou para todos”.

Como é a sua relação com o presidente Jair Bolsonaro e como o senhor vê os ataques que ele faz ao governador Rui Costa que é um aliado seu na Bahia?  

“Eu respeito os eleitores que votam em Bolsonaro. Respeito, inclusive, os que ainda votam. Respeito porque política é democracia e cada qual vota em quem quer. Mas, há muito tempo que eu percebi que tem alguma coisa errada”.

“Por exemplo: a Bíblia diz que pelos frutos se conhece a árvore, não é pela árvore. Não é o que a árvore diz, é o que ela mostra. Quando eu vi o presidente fazendo sinal de arminha, eu procurei na bíblia e Jesus e nenhum de seus seguidores fazendo arminha. Eu não vejo na bíblia que bandido bom é bandido morto. Vi na bíblia que Jesus morreu entre dois bandidos e quase como um bandido também. E um dos bandidos ele levou para o céu porque se arrependeu. E eu também sou prova de que bandido bom não é bandido morto porque há 28 anos ninguém era mais bandido do que eu. Eu tenho 37 anos de polícia. Eu já era policial e vivia nas drogas, no alcoolismo, assaltos, era envolvido com tudo o que era coisa ruim. Quando eu vejo esse discurso de bandido bom é bandido morto, eu me preocupo. Qual é o bandido? O preto, pobre, da periferia? E os bandidos lá de cima? Quando vejo sobre a defesa da família, um sujeito que tem filhos com três mulheres diferentes. Eles pregam uma coisa e fazem outra”. 

Como o senhor acha que o presidente Bolsonaro conseguiu alcançar o voto evangélico e o que fazer para chegar a esses eleitores para que não votem nele novamente? 

“O problema de Bolsonaro ter alcançado o público evangélico é que eles estavam meio abandonados, não eram ouvidos. Serviu de exemplo. O que aconteceu no Brasil, se o Lula e o PT ganharem a eleição, é para aprender que existem os evangélicos, os cristãos, sejam eles evangélicos ou católicos”.