Haddad critica Congresso após rejeição de MP e diz que decisão “foi escolha, não descuido”

Ministro da Fazenda afirmou que o Congresso “protegeu privilegiados” ao deixar caducar medida que aumentaria a tributação sobre grandes fortunas e empresas de apostas

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta quinta-feira (9) que a rejeição da medida provisória (MP) que previa o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) foi uma escolha deliberada do Congresso para beneficiar os mais ricos. A declaração foi feita em uma postagem nas redes sociais, após a MP perder a validade por não ter sido votada.

“Apesar de muita negociação, o lobby dos privilegiados prevaleceu no Congresso e derrubou essa medida. Não foi descuido, foi escolha. A escolha consciente de tirar direitos dos mais pobres para proteger os privilegiados”, escreveu Haddad.

A proposta do governo buscava elevar a tributação sobre investimentos de alto rendimento e acabar com isenções aplicadas a determinados produtos financeiros e empresas de apostas online, as chamadas bets. Segundo o ministro, a medida garantiria uma arrecadação de R$ 17 bilhões em 2026, que seria direcionada a áreas como saúde, educação e previdência social.

“A medida buscava cobrar o mínimo de bilionários, bancos e bets, uma operação simples e justa. Proteger os direitos daqueles que ganham menos, cobrando a justa parte dos que ganham muito e não pagam quase nada”, destacou.

Haddad também sugeriu que a reação popular, como a registrada recentemente contra propostas de interesse político, pode se repetir. “Eles esqueceram que o povo está cada vez mais atento e sabe quem defende o país e quem trai o interesse nacional”, disse, acrescentando que “o resultado das urnas precisa ser respeitado: incluir o pobre no orçamento e o rico no imposto de renda”.

Na manhã desta quinta, o ministro afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve discutir, na próxima semana, alternativas para recompor R$ 35 bilhões no orçamento — sendo R$ 17 bilhões em 2026 e R$ 18 bilhões em 2027. Haddad não descartou a possibilidade de corte de emendas parlamentares como forma de compensar a perda de arrecadação.

Apesar do impacto maior previsto para os próximos anos, o ministro informou que o efeito da queda da MP em 2025 será mínimo, embora o texto original estimasse R$ 10,5 bilhões de arrecadação ainda neste ano.

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